segunda-feira, 24 de agosto de 2015

O preconceito com o cinema de gênero

Você com certeza conhece alguém que paga de culto e tenta ostentar um ar de superioridade intelectual apenas por digerir obras  menos acessíveis ao entendimento do grande publico. Pessoas de nariz empinado que desprezam não apenas produtos de fácil digestão e de vendagem fácil, mas as pessoas que são alvo e consomem eles.

Isso acontece sempre, inclusive para o publico que cultiva o apreço por cinema. É normal ver pessoas esnobando outras apenas pelo seu gosto. Gente que assiste Goddard , Herzog ou Glauber Rocha depreciando quem gosta de um puro cinema comercial ou o blockbuster da semana.  Dois argumentos que pessoas assim sempre usam são: “ela não entende de cinema” e “ela não gosta realmente de cinema, senão não assistiria tanta produção pobre”

Sobre não entender de algo, isso é totalmente relativo. Eu não entendo nada de futebol , mas não me sinto superior e nem inferior a um fanático pelo esporte por exemplo. Porem, pode se disser, por exemplo, que eu entendo muito sobre filmes de horror, nem por isso me sinto superior a alguém que entende menos.

É certo de que com o gosto por algo, sua vontade de conhecer mais sobre tal assunto cresce. Quem gosta de cinema (ou outra arte em geral, como a musica) tem uma certa curiosidade natural de sempre querer descobrir algo novo, ou redescobrir aquela perola escondida no passado.  Porem, nem todas as pessoas têm paciência e são obrigadas a isso.

Muita gente gosta de ficar no seu lugar comum e se sente bem nele, e isso não esta errado. Assim como muita gente não dá chances para filmes comerciais e se sente bem assim. Cada pessoa deve seguir o que acredita. Porem, é sempre bom dar uma chance para coisas diferentes. Não gostou após experimentar algo novo? Quer continuar com o que curtia antes? Ótimo , a vida continua mesmo assim.

Uma grande besteira achar que a pessoa que não tem o gosto parecido ou não tem paciência para assistir um filme mais “cabeça” não tem a mesma paixão pela coisa que você. São apenas gostos e pontos de vista diferentes sobre um universo tão vasto que esta sempre dando frutos dos mais diferentes estilos para os mais diferentes públicos.

Reflita um pouco comigo, muitas das pessoas elitistas não entendem nem metade do que o diretor quer disser em seu filme, mas fingem um falso entendimento apenas para se sair bem na roda de amigos intelectuais.


Uma das coisas que muita gente não percebe, é que filmes cultos ou cabeça se utilizam de elementos do cinema de gênero para compor seu trabalho final.

A verdade que por mais que tentem colocar um murro e separar o cinema erroneamente chamado de inteligente daquele chamado de burro, pobre, de gênero. Eles estão mais ligados do que você pensa, pois ambos se utilizam um do outro a toda hora.

Falaremos agora sobre três grandes gênios que transitam facilmente entre o inteligente, o popular, o culto e o comercial.

Alfred Hithcock foi um dos primeiros diretores famosos a ser reconhecido como um artista autoral. Porem, seu filmes, por mais inteligentes que sejam. São filmes de gênero. Não acredita? Ele fazia na maioria suspenses como algum toque de humor e romance. Isso não são elementos dos filmes de gênero?



Um dos maiores diretores de todos os tempos foi Stanley Kubrick. Ele foi certamente uma das maiores provas de que se podia fazer cinema autoral e de gênero ao mesmo tempo. Seus filmes transitavam por vários estilos e linguagens, mas, possuíam uma assinatura própria e extremamente reconhecível.

Duvida? De uma olhada em alguns dos seus sucessos: O Iluminado, 2001, Laranja Mecânica, Nascido para Matar. Todos são filmes que dão um passo alem em simplesmente entregar um produto facilmente mastigável, mas não deixam de ser reconhecíveis como aquilo que se propõem a ser, uma ficção, um filme de terror, de guerra, etc.




Um exemplo mais atual é o inglês Edgar Wright, um dos diretores com marca própria que vale a pena acompanhar de perto e é a prova vida de que se podem fazer filmes comerciais sem o estigma negativo que esse termo pegou hoje em dia. Suas obras são facilmente vendáveis para o publico, mas ainda assim podemos ver que por trás deles esta uma pessoa de idéias e estilo fortes.  Assista a trinca Todo Mundo Quase Morto, Chumbo Grosso e Heróis de Ressaca , a chamada trilogia do corneto e descubra como ele desconstrói aquilo que as pessoas esperam desses filmes.

Lógico que não quero comparar Edgar Wright com Stanley Kubrick ou Hitchcock. Os filmes de Wright não possuem toda profundidade das obras de Kubrick ou a malicia de Hitch, que iam alem do gênero em que o filme estava preso e faziam o espectador pensar sobre ele por horas. Porem, Wright serve como exemplo perfeito de que é possível fazer um cinema pipoca sem tratar o telespectador como burro.




Por isso, não se sinta superior por entender as nuances do filme do Ingmar Bergman, e nem se sinta culpado por curtir o ultimo sucesso da Marvel.

sexta-feira, 7 de agosto de 2015

10 clássicos filmes de zumbi NÃO dirigidos pelo Romero






Todo fã de filmes de zumbi deveria ter um altar em louvor ao mestre George A. Romero numa parede de sua casa. Criador do subgênero com o clássico A noite dos Mortos Vivos de 1968, um filme que literalmente mudou o gênero de terror.

Porem, todos já sabem a importância e qualidade dos clássicos dirigidos pelo velhinho. O objetivo da pequena lista é listar filmes clássicos de zumbis que ele não dirigiu, mas que mesmo assim, conseguem bater de frente com os maiores clássicos feitos por ele.

Vamos a lista:

Mangue Negro
Pra começar a lista, temos esse ótimo filme nacional (é, Brasil também faz filme de terror viu). Com personagens cativantes, um bom gore e um clima único. O diretor Rodrigo Aragão conseguiu realizar um filme pra ficar marcado na historia do cinema de gênero nacional.


 Todo mundo quase morto
Já foi falado sobre esse filme aqui no blog, mas especificamente no seu primeiro de poucos posts. Mas não custa repetir que esse é uma das melhores combinações de terror sangrento e claustrofobia com uma boa comedia inglesa. Dirigido pelo ótimo Edgar Wright, o mesmo que quase fez o Homem Formiga da Marvel


 Fido
Mais uma comedia com zumbis. A diferença que temos aqui um filme bem família, quase que uma sessão da tarde com mortos vivos. Mas não se engane, mesmo o filme sendo suave no tom fazendo  experiência de assistir ser bem leve, a critica social esta presente , mesmo escondida no clima escachado da obra.

Wild Zero
Zumbis, sexo e rock n roll. Realizado no Japão, temos aqui uma das grandes surpresas dos últimos anos em se tratando de zumbis. E também um dos filmes mais malucos e coloridos feitos no subgênero. Pegue sua guitarra, uma katana e assista!

A noite do terror cego
Agora falaremos de um cult espanhol. O primeiro de quatro filmes sobre terríveis zumbis templários cegos. O longa possui algumas das cenas mais bonitas feitas no gênero. Graças as belas locações e pela direção certeira de Amando de Ossorio.

Não se deve profanar o sono dos mortos
Também chamado de Zumbi 3 na época do VHS. Essa pequena perola pode não ser tão conhecida fora do circuito de  quem realmente corre atrás de euroterror. Mas garanto que vale a pena dar uma conferida, nem que seja pela ótima cinematografia, o clima de tensão e alguns dos zumbis mais fortes já vistos.

 Re-Animator
Baseado livremente num conto do mestre H.P Lovecraft. Temos aqui, na direção de Stuart Gordon, um dos primeiros filmes splatter dos anos 80. Com muito gore, atuações canastras, mas memoráveis e um clima de humor certeiro. Assista e descubra porque ele é um dos filmes favoritos de muita gente.

A noite dos Arrepios
Mais uma perola dos anos 80. Numa ótima mistura de ficção cientifica, humor e terror.  Pena que o filme seja um pouco esquecido, mas garanto que vale a pena dar uma conferida. Uma coisa legal nele é ficar caçando as referencias a outros filmes,inclusive no nome de alguns personagens. Com um tom ótimo de auto parodia. Recomendo.


 A noite do Terror
Confesso que esse esta aqui mais pela brincadeira. Afinal,  essa perola italiana sobre zumbis é terrível. Mas de tão ruim que é, acaba se tornando um filme muito divertido. Sem contar  que possui uma das crianças incestuosas mais estranhas que o cinema já viu (interpretado por um anão). Com direito a uma cena bizarra envolvendo sua mãe e uma mordida nos seios dela..


Zombie 
Pra fechar a lista, o meu favorito. Levemente inspirado pelo clássico Despertar dos Mortos do Romero. Aqui, o maestro italiano Lucio Fulci ( do otimo Terror nas Trevas) realizou uma obra prima do gore. Um filme sangrento e que cheira a zumbis podres. Como aquele que sai da tumba lentamente numa das melhores cenas do longa. E onde mais iríamos ver um zumbi lutando contra um tubarão? Esses italianos malucos e seus clássicos...





sábado, 1 de agosto de 2015

4 discos para conhecer: Thrash Metal da Bay Area




Surgido no começo dos anos 80 (mas especificamente em 1983 com os lançamentos do Kill Em’ All do Metallica e Show do Mercy do Slayer) o thrash metal é um dos movimentos mais apaixonantes do heavy metal, conquistando uma base de fãs fieis durante muitos anos. Marcado como uma evolução natural do estilo, com a junção da NWOBHM e o hardcore punk..  

Trazendo o metal  de volta as suas origens mais básicas e extremas. Saindo um pouco do clima fantasioso que muitas bandas tinham na época, principalmente das bandas farofa/glams, que dominavam a cena de Los Angeles.Fora com as calças coloridas, roupas espalhafatosas e maquiagem e entraram os jeans sujos e clima das ruas.

Apesar de possuir muitos pólos onde ficou famoso (como em NY, ou a cena alemã).  Foi na cidade de São Francisco que ele ficou mais forte.  A chamada Bay Area foi o refugio de muitas bandas e pessoas ligadas ao movimento que não entendiam/se encaixavam a todo glamour que acontecia em LA.

Gostaria de listar agora, quatro álbuns de quatro bandas diferentes para que você possa conhecer melhor o estilo. O objetivo do texto é dar uma olhada básica e rápida sobre o movimento. Não querendo me aprofundar muito. Se curtir algum dos álbuns listados, sugiro que procure mais sobre o movimento de ótimas bandas como Heathen, Forbidden, Death Angel,  etc. Bom divertimento!
Vamos a eles

Metallica – Ride The Lighting (1984)
Não podemos falar do estilo sem citar um dos seus criadores. Mesmo com toda a polemica gerada pela banda durantes os anos,  é impossível negar que eles fizeram alguns dos álbuns mais legais do estilo durante os anos 80. Aqui nesse segundo registro temos a banda dando um passo além, se mostrando mais madura. Porem, sem deixar o lado agressivo e pesado de lado. Esqueça a banda cover deles mesmo que viraram hoje em dia e escute logo essa maravilha.
Gostou?escute também: Kill Em’ All



Exodus – Bonded By Blood (1985)
Talvez um dos discos que mais definiu o estilo. Principalmente pela sua sonoridade totalmente ríspida e agressiva. Mesmo sendo debut da banda, podemos ver que eram músicos de extremo bom gosto e criatividade na hora de criar a pancada sonora existente aqui. Único registro em estúdio do lendário vocalista Paul Barloff (RIP), aqui temos o nascimento de uma das maiores duplas de guitarristas do estilo, Gary Holt, que hoje toca no Slayer, e Rick Hunolt.
Gostou? Escute também: Tempo of the Dammed



Vio-Lence – Eternal Nightmare (1988)
Uma banda que pode não ter chegado no nível de popularidade das outras, mas que certamente mereço um reconhecimento e o culto que possui é o Vio-Lence. Como o nome diz, o som dos caras é uma verdadeira violência sonora. Mas bem executada e técnica. Você pode até estranhar no começo os vocais de Sean Killian. Porem, ainda hoje é espetacular o trabalho de guitarra de Robb Flynn e Phil Demmel, parceiros atualmente no Machine Head.
Gostou? Escute também: Oppresing The Masses.




Testament – The Legacy (1987)
Certamente uma das bandas que mais soube utilizar a extrema técnica e criatividade dos seus músicos (não é qualquer banda que tem um monstro Alex Skolnick nas guitarras). O Testament pode parecer mais ingênuo nesse primeiro álbum da carreira. Porem, foi aqui que podemos ver um dos ataques sonoros mais urgentes e sinceros que surgiram no estilo. A banda pode ter melhorado com o tempo, mas pouca coisa me marcou como esse aqui.
Gostou?Escute também: The New Order



quarta-feira, 11 de março de 2015

5 filmes para conhecer: terror italiano

O horror italiano viveu sua época de outro durante os anos 60 até começo dos 90. Foi nesse período que grandes clássicos que continuam influenciado gerações foram lançados. Gostaria aqui de listar apenas cinco filmes essenciais para que você entre no maravilhoso mundo do cinema de terror italiano. Não quero de maneira nenhuma resumir o gênero a apenas cinco filmes e muita coisa boa ficou de fora. Quero apenas dar uma rápida e boa sugestão para quem quer começar a conhecer essa apaixonante e apavorante filão. Boa diversão! 

P.S: Escolhi apenas filmes disponíveis em vídeo no Brasil.


1 – Terror nas Trevas (...E Tu Vivrai Nel Terrore! L'aldilà, 1981, Direção: Lucio Fulci)
Se você quer entender o impacto que o diretor Lucio Fulci teve para todo o gênero de terror em geral, principalmente o gore, recomendo fortemente assistir esse filme aqui. Lançado em 1981, o influente filme inexplicavelmente estava inédito em DVD no Brasil. Até ser lançado esse ano pela Versátil num ótimo box com outras perolas do terror. Esqueça os furos do roteiro (que são maiores que os furos na cabeça dos zumbis) e embarque nessa viagem cheia de sangue, visual, e aranhas carnívoras.
Gostou? Veja também: Zombie – A volta dos mortos.



2 –  Lisa e o Diabo ( Lisa e Il Diavolo, 1974, Direção: Mario Bava)
Falar de Mario Bava é como falar de uma instituição do cinema de fantasia e terror gótico italiano. Referenciado como mestre e influencia para muitos outros que vieram depois, inclusive fora da Itália. Seus filmes tinham um visual e estilo único, e escolher apenas um é uma tarefa difícil, porem meu favorito até o momento é essa perola aqui. Assista e descubra o porquê Bava era um diretor único.
Gostou? Veja também: A Mascara de Satã.



3 – Phenomena (Phenomena, 1985, Direção: Dario Argento)
Junto com Mario Bava, Dario Argento deve ser o diretor italiano mais influente e conhecido de todos os tempos. O cara que praticamente popularizou o giallo (suspense italiano) e fez dele um gênero solido. Esse aqui pode não ser seu trabalho mais famoso ou influente, mas é muito querido por mim e representativo na carreira dele. Perfeito para uma noite de sábado.
Gostou? Veja também: Suspiria



4 – Demons – Filhos das Trevas ( Demoni, 1985 , Direção: Lamberto Bava
Lamberto Bava é filho de Mario Bava, e assim com o pai se aventurou pelo mundo do cinema. Seu grande clássico e filme mais lembrado é esse aqui. Com muita escatologia e cenas exageradas passadas num cinema, é diversão pura para todos. O filme respira anos 80, principalmente pela trilha sonora, embalada num bom hard rock e heavy metal
Gostou? Veja também: Demons 2 – Eles Voltaram 



5 – Pelo Amor E Pela Morte ( DellaMorte DellaMore, 1993,Direção: Michele Soavi)
Lançado no final da era de outro do cinema italiano de gênero. Essa bizarra e única perola é talvez o ultimo grande clássico do cinema de horror vindo do país da bota. Um filme de zumbis realmente diferente que pode fazer sua cabeça explodir. Seja pelo humor negro, pela violência ou pelos seus carismáticos (e malucos) personagens.

Gostou? Veja também: A Catedral 




Coisas que eu quero ver nos novos Star Wars

1 – Sabres de Luz ao modo velho.

Uma das marcas mais lembradas pelos fãs é o sabre de luz. Arma usada por ambos Jedis e Siths que consiste basicamente numa espada laser. O legal na trilogia clássica era que havia toda uma expectativa para eles aparecerem, e consequentemente suas batalhas. Podem argumentar que com as prequels as lutas ficaram melhores para alguns. Melhor coreografadas, mas mais exageradas.
As lutas dos filmes clássicos podem parecer mais simples, mas eram melhor construídas, toda a expectativa delas finalmente acontecerem, e o desenrolar delas que fazem elas serem tão esperadas. Poucos momentos são mais tensos que a luta de Luke contra Vader no final do Império Contra Ataca.
O que quero dizer é que menos é mais. Mais tensão para criar uma cena é melhor do que joga-la para o publico na cara a todo instante. Por isso, menos pulos e cambalhotas, mais tensão.

2 – Luke, Leia, Han e Cia da trilogia clássica darem lugar a novos personagens.

Me dói no coração falar isso e tive que pensar muito antes de escrever essas palavras. Mas por mais que eu ame esses personagens e tenha crescido com eles, eu realmente gostaria que eles passassem a bandeira para outros novos personagens.
Pense bem, toda historia precisa de continuidade. Luke treinando um novo aprendiz seria algo que traria novos horizontes para a saga e pareceria uma decisão lógica a se seguir, ou Han e Leia com filhos por exemplo.
Não estou falando necessariamente que esses personagens precisam morrem em certo ponto dos filmes para dar lugar a outros. Só estou dizendo que não precisam vender a nova trilogia baseada em velhos rostos.

3 – E que os novos personagens sejam realmente interessantes.

Se é pra seguir novos rostos que eles sejam pelo menos cativantes e nos façam querer acompanhar sua jornada. Tanto do lado dos heróis como dos vilões. Uma das coisas que mais cativa as pessoas pela trilogia clássica além do visual e estilo dos personagens, é seu carisma e personalidade visto na tela. Chega de personagens unidimensionais que de bom só tem a aparência e uma ou outra frase de efeito.

4 – Menos efeitos, mais roteiro.

Logicamente um filme como Star Wars, principalmente hoje em dia, se baseia muito nos efeitos especiais. Não estou pedindo para fazer tudo como foi feito antigamente ou não usar nenhum efeito especial, eu até gosto de ver eles na tela, principalmente os efeitos práticos feitos antigamente. Porém, isso não deve estar acima de um bom roteiro. Star Wars é uma aula de como misturar dramas, pessoais e políticas, com ação envolta de efeitos de primeira linha. Que isso continue nesses novos filmes.

5 – R2D2 e C3P0 como personagens recorrentes.


Isso é apenas para manter a continuidade da saga. Os dois simpáticos androides são os únicos personagens a aparecerem em todos os filmes, prequels ou originais. Só isso.


domingo, 9 de novembro de 2014

A Meia Noite Levarei Sua Alma




Minha introdução pelo mundo do cinema de horror do cultuado diretor brasileiro José Mojica Marins (lembrando que estou falando apenas dos filmes de terror dele, não das pavorosas investidas pornográficas que ele fez nos tempos de vacas magras dos anos 80) foi no começo por simples curiosidade de saber que existia sim cinema de horror no Brasil.

Curiosidade básica de quem nasceu em tempos errados e costuma engolir em todo lugar que não existiu e nem existe cinema de gênero nacional. Papo manjado de critico e publico que após a retomada tentam fazer um crime pior que a pedofilia o ato de querer fazer filmes de ação, fantasia, ficção ou no caso aqui, terror no Brasil.

Um pensamento totalmente errado, que não afeta somente os realizadores desse tipo de produção nacional, mas o publico. É como colocar uma venda nos olhos que só deixa a pessoa ver o que querem que ela veja. O publico deve ser livre para querer ver o que quer, e alem de tudo, os realizadores devem ser livres para fazerem o que quiserem.

Cinema é uma religião para esse que vos escreve e para muitos, assim como foi e é para Mojica.  Uma pessoa a frente do seu tempo que juntou sua paixão pela coisa e suas qualidades como cineasta para realizar verdadeiras obras primas.

À Meia Noite Levarei Sua Alma é o filme em foco aqui, primeiro longa de terror do diretor e considerado também o primeiro filme de terror brasileiro. Um fato importante para a cinegrafia brasileira, mas que infelizmente não deixa de chegar com atraso, visto a longa tradição de cinema fantástico estrangeiro, vindo deste o cinema mudo.

Hoje pode parecer estranho, mas esse filme que tratamos aqui foi um sucesso de publico, que ficou vários meses em cartaz. Imagine hoje em dia um filme de horror nacional fazer bilheteria? Só lembrando que a ultima investida de Mojica, Encarnação Do Demônio, foi um fracasso no sentido financeiro.

Logo no começo, temos o próprio Zé do Caixão, interpretado por Mojica de frente para câmera citando um texto que mostra sua filosofia:

O que é a vida?
É o princípio da morte.
O que é a morte?
É o fim da vida.
O que é a existência?
É a continuidade do sangue.
O que é o sangue?
É a razão da existência.

Podemos ver que o personagem encarnado por Mojica é muito mais que um simples vilão de filmes de terror. Podemos ver também que não estamos vendo um simples filme de terror barato.

E por favor, chamar isso de trash é uma heresia. Não confundam trash com filmes de horror de baixo orçamento, principalmente esse feito na raça e com muita paixão. O filme é barato? Sim, É mal produzido? Definitivamente não, alias, ouso dizer que esse é um dos filmes de horror mais dinâmicos que já vi para sua época.

A trama mostra uma cidade do interior onde vive o coveiro Josefel Zanatas (Zé do Caixão), com uma maldade e descrença em dogmas na alma que ultrapassa qualquer limite de moralidade. Seu objetivo maior é criar o filho perfeito, continuação de seu sangue, e para isso, precisa da mulher ideal.

A personificação física de Zé do Caixão é fácil de reconhecer ate para quem nunca viu um filme dele: capa preta, cartola, e longas unhas. Uma imagem que ficou certamente marcada no imaginário popular.

Temido pelos habitantes locais, algo que vemos claramente durante a primeira cena do bar, onde Josefel corta os dedos de um homem que recusa a pagar uma divida de jogo. Uma cena gore antes de George Romero popularizar o estilo com seu Night of the Living Dead.

Por isso, logo nos primeiros minutos, o efeito de filme barato e bobo que ele passa no começo muda e ele se torna uma obra ultrajante, violenta e corajosa, de blasfêmias não só da religião, mas de uma sociedade atrasada pelo tempo e dogmas. Não só pelo personagem de José Mojica ser um filho da mãe violento e amoral que não insiste em violentar e matar quem passa pelo seu caminho, deixando ícones modernos do horror gringo como Freddy Kruger e Jason parecerem menininhas. Ele acredita fielmente no que faz e sua convicção pelos atos horríveis que comete em frete a câmera é tão forte que acaba sendo justificada.

A fotografia em preto e branco realça ainda mais o clima de filme clássico da longa, apesar de que sua violência o deixe atual para a época e ainda para os dias de hoje. Comer carne durante um feriado religioso pode parecer ingênuo hoje em dia, mas na época era o mais extremo que um filme, não apenas nacional, poderia chegar.

A Meia Noite Levarei sua Alma é um filme feito por um cara do povo para o povão que gosta de horror. Mas se engana quem pensa que aqui temos um produto passageiro. Como eu disse, Mojica estava e ainda esta a frente do seu tempo. Esta para nascer uma pessoa no Brasil que traga tantos elementos clássicos e ainda sim frescos em seus filmes com tanta maestria como ele.

E apesar de ser difícil não considerar o personagem do Mojica um vilão. Ele foge do clichê por ser totalmente bem construído, e foge do clichê, pois nos vemos não somente o lado do vilão, mas as suas motivações e ponto de vista. Violentar uma mulher para gerar o filho é algo horrível e injustificável, mas ele mostra o porque dele fazer isso. Não é como um assassino de slasher bobo que apenas mata por matar. Por isso, todo ato de blasfêmia, de violência, de tirania, é gratuito, mas nunca fora do lugar, por mais que sejam absurdos os meios que os justificam.



Um dos melhores momentos é a cena em que Zé do Caixão realiza um quase monologo destilando toda sua ira e descrença pela religião. Uma cena intensa, cheia de som e fúria que demonstra e personifica toda a figura do personagem criado por Mojica. Zé do Caixão desafia não apenas os céus nesse momento, mas todos que iriam contra sua carreira ao longo dos anos.

Mojica tem o famoso caso em que a criatura é mais conhecida que o criador, Zé do Caixão é o monstro de Frankenstein dele, e sinceramente, acho que ele ficara marcado com isso por toda a vida. O personagem ficou tão marcado que é mais fácil a pessoa conhecer a figura do Zé, do que ter visto um filme de fato.

Já vi muitas pessoas recusarem ver um filme do Mojica por puro preconceito, achando que ele é a figura que fazia aparições em programas de TV trajando roupas pretas e rogando pragas, figura que o próprio Mojica personificou para não morrer de fome.

Podemos dizer que foi o próprio criador do Zé do Caixão que leva a culpa pela imagem que as pessoas têm dele hoje em dia? Certamente, não posso culpar a falta de informação do publico atual, pois essa informação é tão escassa e o primeiro contado que temos come ela é totalmente errada da sua verdadeira face. Mas mesmo assim, coloco Zé do Caixão juntos dos grandes monstros clássicos do cinema mundial. E Mojica como um dos grandes gênios do cinema da nossa era.

Uma dica de amigo: deixe o preconceito de lado e comece a descobrir a obra do Mojica por esse filme. Apesar de certos pontos profundos é um filme relativamente fácil de acompanhar e de se achar para assistir.

Zé do caixão, a personagem, não é o ser engraçadinho que aparece em festas e programas de televisão, ele é um vilão no sentido pleno, e seus filmes onde aparece são clássicos do gênero, cultuados lá fora por muitas pessoas, onde é chamado de Coffin Joe.  Parece que gringo esta sempre na frente não? Pois é, dessa vez passaram a perna na gente mesmo.


José Mojica, a pessoa, um cineasta maldito, pode não ser considerado um gênio por muitos, mas certamente é um batalhador do nosso cinema nacional. Um verdadeiro anti herói e alguém cujos filmes sempre me lembrarei. Não me canso de dizer que ele estava a frente do seu tempo (a terceira vez que cito isso no texto), mas digo sem nenhuma culpa que isso é um fato. 


sexta-feira, 31 de outubro de 2014

5 filmes que mostram que o horror esta vivo, e muito bem!

Mais uma lista para o blog. E aos moldes da nossa primeira postagem aponto mais alguns filmes de horror imperdíveis para se divertir e ver que o gênero ainda tem muita lenha para queimar e sangue para derramar.
Dessa vez irei listar menos filmes, mas são todos altamente recomendáveis, assista, divirta-se e bons sustos.



1– Deixa-ela Entrar (Låt den rätte komma in, 2008 )



Vampiros sempre estiveram presentes no imaginário popular, e filmes sobre o tema podem trazer grandes obras primas ou fracassos irrecuperáveis. Por sorte esse filme sueco esta na primeira categoria, e com louvor. Mais do que um filme de horror sangrento e perturbador, é uma historia sobre a infância e fim da inocência, onde a maldição do vampirismo é vista aos olhos de criança. Mais adulto que muito vampiro brilhante por aí, um filme excelente. Existe uma refilmagem americana lançada em 2010.

2 – Terror Em Silent Hill (Silent Hill, 2006)



Adaptação de games de sucesso costumam dar dinheiro, mas ao mesmo tempo acabam gerando filmes horríveis que do produto original só tem o nome, Resident Evil que o diga. Por sorte a adaptação do que pra mim é o melhor survival horror já feito é digna de nota. Com diferenças aqui e ali em comparação ao game, o filme mesmo com isso não deixa de homenagear seu produto de origem e ainda é um ótimo filme de terror com toques certos de drama e bons efeitos. Coloque o joystick de lado, ligue a televisão e divirta-se

3 – Possuída (Ginger Snaps 2000)



Lobisomens não poderiam faltar na nossa lista, e esse ótimo filme canadense é talvez uma das melhores produções lançadas na ultima década. A trama usa um paralelo entre a chegada da vida adulta e suas mudanças, principalmente corporais, e a maldição da licantropia. Um filme extremamente sangrento e divertido, onde o lobisomem realmente mete medo e é bem produzido. Com aquele clima moderno sem cair para o terror teen bobo e  ao mesmo tempo nostálgico aos moldes de clássicos como Grito de Horror

4 – Seres Rastejantes (Slinther, 2006)



Antes de dirigir o sucesso da Marvel, Guardiões da Galáxia. O diretor James Gunn produziu dois filmes super divertidos. Super, uma homenagem adulta aos filmes de super-heroi. E Seres Rastejantes, uma sangrenta e nojenta homenagem aos filmes B de ficção de antigamente. A trama já foi vista outras vezes (alienígenas tomam conta de corpos humanos e começam uma invasão na terra), o jeito que é produzido que torna a coisa especial. Junte os amigos, pegue sua bebida favorita, tire um pouco o cérebro e divirta-se.


5  – Morgue Story – Sangue, Baiacu e Quadrinhos. (2009)



Pra fechar a lista, um filme nacional, e dos bons. Às vezes uma comedia com elementos de horror, as vezes um filme de horror com elementos de comedia de humor negro, Morgue Story certamente é um filme diferente dos lançados por aí. Deve ser por isso que não recebeu o a distribuição comercial que merecia e acabou ficando apenas no circuito alternativo. Mas vale a pena procurar essa obra baseada numa peça de teatro e se divertir com suas tiradas que envolvem deste a cantora Kate Bush, Uma noite Alucinante 3 e um ótimo vilão na figura do medico necrófilo. Recomendo