terça-feira, 9 de maio de 2017

Satan Joker’s, os filhos do metal



Continuando nossa jornada pelo mundo através do heavy metal. O local de parada agora é a França. Terra da torre eifell, de Napoleão e da Novelle Vague . E também terra do Trust, H-Bomb,Warning, e mais recentemente do Alcest e Gojira. E principalmente da perola que será comentada a seguir, Satan Joker’s e seu clássico álbum Les Fils Du Métal

O ano é 1983 e a NWOBHM (New Wave Of Britsh Heavy Metal) esta ainda com grande força, mas pera lá, a NWOBHM é um movimento britânico e estamos falando de uma banda da França, não tem algo errado? Pera lá meu amigo, temos que levar em consideração que essa nova onda de bandas foi tão importante e influente que ultrapassou as barreiras geográficas e deu uma nova vida para o metal em diversas partes do mundo, mostrando que havia espaço para bandas do estilo depois da explosão do punk.

Depois de uma demo lançada em 1982, o debut deles saiu no ano seguinte pela gravadora Vertigo. Les Fils Du Métal conta com Renauld Hantson na bateria, Laurent Bernat (falecido em 2004) no baixo, Stéphane Bonneau na guitarra e Pierre Guiraud no vocal. E o som do Satan Joker’s é aquele heavy metal tradicional com pegadas de hard rock cheio de atitude , melodia e pegada característico dos anos 80.

Se para alguns brasileiros, até o som cantado em português soa estranho de primeira. Imagina ao ouvirem ele cantado em francês. Pense na situação de você estar ouvindo um puta riff de guitarra e quando entra a voz você tem a impressão de que o vocalista esta cantando fazendo biquinho (uma piada ruim sobre como pra falar francês você precisa falar fazendo biquinho com a boca, me perdoem).

 Esse é um grande diferencial do Satan Joker’s, o vocalista, Pierre Guiraud, canta todas suas linhas na língua nativa. Eles até tem versões de suas musicas cantadas em inglês (que por acaso constam como bônus tracks na edição do cd que eu possuo), mas fica muito mais interessante e até divertido perceber que o heavy metal é uma linguagem universal que pode ser interpretada de varias formas e se adéqua ao seu local.

Porém, quando ouvimos pela primeira vez, o choque é imediato. Afinal, não é uma língua usual de ouvirmos uma banda usar em suas musicas. Visto que a maior parte do metal/rock feito mundialmente é cantado , consumido e exportado em inglês. Após a estranheza, vemos que o som é bem feito e que a língua usada encaixou bem no instrumental, não sendo um artifício para diferenciar das outras bandas que ficou apenas na tentativa e nos distrai ao ouvirmos, mas algo que agregou ao som do Satan Joker’s. No final estamos até arriscando cantar junto, mesmo não entendendo nada do que falem. É metal pesado de qualidade e pronto, isso que importa.

E por falar em vocal, o jogo de vozes em algumas faixas é bem interessante. Fazendo um bom uso dos back vocals, a banda nos trás melodias cativantes e aqueles refrãos característicos. Ouça por exemplo a faixa Derrière Les Portes Closes onde o refrão nos remete a algo parecido com o Queen.

O instrumental também é digno de nota, com riffs precisos cobertos de alguns momentos cheios de melodia. A produção limpa ajuda também. Pode parecer simplória hoje em dia, mas para o padrão da época esta boa, deixando você ouvir com clareza todos os instrumentos.

Se quiser conferir o som dessa banda, é fácil achar musicas e ate algumas apresentações aovivo deles no youtube. Mas se você como eu gosta de ter o material físico em mãos. A label Axe Killer Records lançou ele em um box junto do segundo álbum Trop Fou Pour Toi. É meio difícil de achar, mas vale o dinheiro investido.

 O que podemos aprender ouvindo esse disco é que metal em inglês é legal, mas em português também, e em francês, japonês etc.. Escolha a língua que quiser, o importante é ser bem feito e pesado. E sim, há musica boa em todas as épocas e lugares.



O novo metal nacional: indicações.

Vivemos em tempos esquisitos pra musica em geral, não apenas para o rock e metal, porém, gosto de pensar que ainda existem exceções no emaranhado de porcarias que nos são jogadas goela abaixo.

Fala-se muito da morte do estilo e que ninguém o apoia mais. Não é verdade, podemos não ter o apoio da grande mídia e ainda ser um estilo um pouco marginalizado, mas ainda existem pessoas que acreditam no que fazem. Ainda há Bandas lançando discos que não devem nada aos clássicos do passado e que mantém a chama acessa. E é sobre isso que iremos falar aqui, mas uma pequena reflexão antes.

O rock em geral, pode estar em crise para algumas pessoas, e de fato, esta difícil arrumar lugar para tocar nas grandes cidades.  Muitas vezes a banda não tem aquele apoio do publico e dos grandes figurões que trabalham no meio que merece. Essa é a palavra chave: apoio. O apoio é essencial. Seja comparecendo aos shows, comprando o cd original, divulgando, ou até mesmo dando um maroto like nas redes sociais.

Afinal, não é porque não esta no mainstream, que signifique que o estilo não existe mais.
O fato é que estamos na época em que mais se consome musica, seja ela boa ou ruim. E com uma variedade de plataformas disponíveis para escolher. Seja por download, streaming, ou até mesmo comprando o cd/vinil, isso sim, uma atividade “arcaica” para os dias de internet de hoje e praticado por poucos.

Ou seja, há muita gente fazendo som, e há muitas oportunidades de se ter contato com esse pessoal que merece uma chance de ser conhecido e reconhecido. Não vivemos mais nos anos 80 onde era impossível arrumar um disco ou custava o olho da cara. Com apenas dois cliques no nosso computador temos facilmente toda a discografia de qualquer banda a nossa disposição.

Por isso, não fique com a bunda sentada reclamando que não existe mais nada de bom, sem ao menos correr atrás e procurar novos sons.

Mas enfim, vamos ao objetivo do texto.

Sempre gostei de indicar bandas para meus amigos, e agora vou indicar algumas pra você amigo leitor. E não são quaisquer bandas, são álbuns de bandas de metal nacional lançados atualmente que valem a pena você conhecer. Porque nacionais? Não vou entrar naqueles papos manjados de sempre de “apoiar a cena”, todo mundo sabe o quanto isso é importante. Só decidi colocar nacionais pelo meu amor ao estilo e o orgulho que tenho da cena nacional que é rica demais, e pela grande qualidade dessas bandas e álbuns.

Lembrando que essa não é uma lista definitiva e vai ficar faltando algumas bandas.  Por isso, ao invés de reclamar e me xingar nos comentários, indique mais bandas/álbuns  que você acha que merecem ser conhecidas  , vamos fazer o metal nacional forte.

Certo, vamos lá.

Primordium – Todtenbuch – 2014



De Natal, no Rio Grande do Norte, vêm essa banda de death metal que em suas letras aborta o misticismo do Egito Antigo. Como podem ver, as influencias de Nile são visíveis, mas a banda possui o seu valor e passa longe de ser uma simples copia. O Primordium nos trás toda a atitude e postura extrema que uma banda do estilo precisa. Com riffs técnicos e precisos, uma verdadeira viagem extrema pela terra dos Faraós.

Axecuter – Anthology – 2014




De um tempo pra cá o metal tradicional de raiz, oldschool, que nos remete aqueles gloriosos tempos dos anos 80, começou a ser produzido novamente. E no meio dessa nova leva de bandas surgidas no mundo inteiro o Brasil não ficou de fora, e alguns grupos se destacam. Falarei sobre alguns nesse texto e Axecuter é um deles. Com seu som poderoso e direto. O legal dessa coletânea é que ela reúne todas as musicas dos lançamentos anteriores até então, antes só disponíveis em EP’s.

Firestriker – Lion and Tiger - 2013



Com vocais poderosos e facilmente reconhecíveis da Aline Nunes, uma frontwoman cheia de carisma, nos mostrando que metal é lugar de mulher sim, no palco e no publico. Junto dela uma banda afiada que não deixa nada a dever, mandando um metal tradicional bem feito. Esse EP nos trás o começo do que pode ser uma banda forte na cena. Torço para que lancem um full logo, pois o som é animal.

Grave Desecrator – Dust to Lust - 2016


Com influencias de Venom , Bathory e Sarcófago, ou seja, aquele metal extremo sujo, blasfemo e malvado. Esse foi com certeza um dos melhores lançamentos do ano passado. Sem muitas firulas desnecessárias, só cacetada atrás de cacetada. Não indicado pra quem curte um som mais polido e limpo, pois aqui volta às raízes do som primitivo do começo do metal negro. Se você gosta dessa pegada, pode conferir sem medo.

Corpse Grinder – Perpertual Purgatory - 2015



Essa banda já esta um tempo na estrada praticando um death metal poderoso e gostaria de recomendar aqui seu ultimo álbum . Com aquele som old school que é sempre bem vindo ao estilo. Remetendo ao tempo que o death metal não era apenas uma amostra desnecessária de querer parecer mais rápido/brutal.  Ou seja, um som com felling e atitude.   

Metaltex – Spikes and Leather - 2016


Outra banda que torço que lance um full logo, pois o som que ouvi nesse EP promete.  O nome já diz tudo, mostrando que o metal é um estilo de vida que para os verdadeiros vai até o tumolo.  É  heavy metal tradicional com momentos de velocidade muito bem feito. O tipo de som que faz a gente colocar o punho fechado para o alto, banguear e pensar: que orgulho de ser headbanger.

RedRazor – Beer Revolution - 2015



Thrash metal e cerveja é uma combinação que sempre da certo,Tankard que o diga, e essa banda Catarinense mostra isso eu seu debut. Riffs e mais riffs de moer o pescoço e perfeitos para o mosh pit, pratica que deveria ser obrigatória  em shows do estilo, ainda mais com bandas legais como essa. Se você gosta do som feito na Bay Area nos anos 80, com um toque nacional e até um pouco de humor confira esse disco.

Armahda – S/T - 2013


Com letras que falam sobre a historia do Brasil e todos os conflitos que nosso país já passou. O heavy/Power metal desse grupo é muito energético. Com momentos de agressividade que chega a lembrar  thrash metal, palhetadas nervosas são constantes aqui. Vi eles abrindo para o Grave Digger em São Paulo em Março e posso afirmar que o Armadha consegue ser melhor no palco. Uma que vai alcançar voos altos em breve.

Arandu  Arakuaa – Wdê Nnâkrda - 2015



Indo na contramão de quem acha que folk metal se resume a bandas que utilizam influencias celtas/europeias no som (quando na verdade, na essência o folk é qualquer som regional do seu local de origem) temos aqui um caso de folk cem por cento nacional. Essa banda mistura metal extremo com sons indígenas e regionais brasileiros. Incluindo nas temáticas historias sobre nossas raízes. Outro grande diferencial é que as musicas são cantadas em Tupi e outros dialetos indígenas. Recomendado.

Discos que provam que o metal dos anos 90 foi legal sim!

Devido ao desgaste e os excessos criados nos malucos anos 80. O heavy metal, antes, uma musica que surpreendentemente ficou popular, entrou nos anos 90 com sérios problemas: Ele simplesmente não se encaixava mais naquela década sombria.

Onde com o surgimento do grunge, os olhos não estavam mais voltados praqueles cabeludos tocando pesado em meio a riffs épicos e exagerados.  Era o tempo de ser mais introspectivo, de olhar para si mesmo. Era proibido solo de guitarra ou ter um visual mais afetado. É claro, isso não durou tanto como esperavam. Afinal, o mundo gira, o tempo passa e novos interesses vão surgindo.

Mesmo assim é errado dizer que foram anos perdidos, um buraco na historia do metal. Houve sim grandes bandas, grandes álbuns.

Longe do mainstreem é claro. Um erro muito cometido é achar que algo só presta (ou pior, que esse algo existiu), se vende milhões, aparece na TV ou etc. O heavy metal nunca precisou de apoio da mídia para sobreviver e continua firme e forte na historia como uma musica transgressora que sobrevive pela paixão dos fãs e músicos.

Decidi colocar aqui alguns clássicos da década que valem a pena serem descobertos e redescobertos por vocês. Algumas escolhas foram inevitáveis, mas tentei fugir do obvio e colocar um pouco de tudo. Do mais extremo ao mais melódico.
Vamos lá!

Iced Earth – The Dark Saga - 1996


Jon Schaffer pode até ser um cara difícil, daqueles que não conseguem manter a mesma formação da banda de um disco para o outro. Mas é inegável sua capacidade de composição e a pegada forte que ele tem na guitarra base. Sempre guiando o Iced Earth com uma postura firme e fiel ao estilo.

A idéia de gravar um disco inteiro falando do personagem de quadrinhos Spawn pode parecer estranha. Mas a qualidade musical falou mais alto nesse caso.

Matt Barlow já tinha dado o recado no disco anterior, sua estréia no vocal com The Burnt Offerrings, mas é aqui que ele fincou seu lugar de destaque no grupo e a banda se consolidou.

Com musicas de estruturas mais simples, mas não deixando de ser trabalhadas. O Iced Earth conseguiu fazer um disco de alto nível que é fácil de ficar na cabeça.

Helloween – The Time of The Oath - 1996


Para algumas pessoas, Helloween são os dois volumes Keppers of the Seven Keys lançados nos anos 80 e nada mais. Respeito essa opinião.  Mas muitas vezes uma parte importante da historia do grupo alemão, criadores do Power metal, é ignorada e esquecida por pura preguiça e preconceito.

Tudo bem que Andi Derris, que tinha entrado na banda no álbum anterior, substituindo o marcante vocalista Michael Kiske, não tem uma voz muito característica para o Power metal, com um estilo rasgado puxando mais para o hard (ele era vocalista da banda de hard rock Pink Cream 69 antes de entrar para o Helloween). Porém, junto com composições que misturam um pouco da malicia do hard com o epico do Power metal, geraram uma formula que deu muito certo.

Escute os clássicos Power, Steel Tormentor, Before the War , a faixa titulo e ira perceber como esse álbum pode não ser conhecido como os Keepers, mas é tão bom quanto.

Paradise Lost- Draconian Times – 1995


Uma produção limpa que te deixa ouvir claramente cada movimento produzido no disco. Junto com uma execução absurdamente certeira. Envolta de musicas cativantes, com extrema qualidade e beleza. Essa foi a formula para o sucesso de Draconian Times. O álbum de mais sucesso e relevância do Paradise Lost.

O Paradise Lost foi mais uma das bandas européias, a exemplo de Amorphis e Sentenced, que começou com uma raiz death/doom metal ,  moldando seu som ate algo mais experimental e difícil de classificar, com pitadas inclusive de pop oitentista. Sendo muito mais do que uma banda de gothic metal, como é normalmente classificadam, já que é um estilo que ela ajudou a criar e difundir.

Draconian Times é um ponto no meio entre as raízes e o som que viria fazer depois. Uma espécie de mistura entre os dois. Que gerou um heavy metal pesado e atmosférico. Porém direto e que continua moderno.

Melancólico , belo, soturno e pesado. Draconian Times é um disco único.

Grave Digger – Tunes of War - 1996


Grave Digger é um dos pilares do heavy metal tradicional alemão que surgiu nos anos 80 e criaram um certo nome cult, principalmente pelo álbum Heavy Metal Breakdown (1984). Porém, foi apenas na década seguinte em que eles realmente se consolidaram e criaram fama. Colocando seu nome junto dos grandes do metal.

E esse álbum é um dos responsáveis por isso, os fazendo entrarem de pé-direito numa década que não abria muito espaço para um som mais tradicional. Porém, o talento e qualidade musical falou mais alto e o álbum teve seu sucesso merecido. Já que o heavy metal tradicional, com pitadas de Power, é algo que é recriado de maneira estupenda aqui.

unes of War é conceitual e conta a historia da guerra da independência da Escócia. Com um som mais trabalhado e épico que os álbuns anteriores. Sem abrir mão do peso e melodias marcantes.

Deste a introdução com gaitas fole, partindo pela direta Scotland United. É uma musica mais legal que a outra, não abrindo espaço para fillers.Mas se for para apontar destaques eu colocaria: William Wallace (BraveHeart), The Dark of The Sun, a bela The Ballad of Mary (Queen of Scots) e o maior hit da banda, Rebellion ( The Clans Are Marching).

The Gathering – Mandylion - 1995


Como o Paradise Lost, banda que eu citei agora pouco. O Gathering é mais uma banda européia que teve suas raízes no doom/death, ate se fincar no experimentalismo quase pop. Gerando assim um fator de divisão entre os fãs.

Alguns adoram as mudanças, outros odeiam. O fato é que bandas que não tem medo de experimentar nunca serão unanimidade. Mas passar despercebido após ouvir um álbum tão belo como esse é impossível.

Esse terceiro registro da banda é o meu favorito e também o de muitos. Após escutar faixas com a abertura Strange Machines, Leaves e as duas partes de In Motion, fica fácil entender a razão.

Um ponto de virada que ajudou o som da banda a se moldar foi a entrada da vocalista Anneke Van Giersbergen,cheia de beleza e carisma. Sua voz encaixou perfeitamente no doom “experimental” do disco. Com vocais que não exageram nos lirismos, como ficou comum e popular nas bandas de metal com uma vocalista mulher. Anneke não abre mão de linhas energéticas e sensíveis, ao mesmo tempo envoltas da certa melancolia e peso criados pelo instrumental das canções.

Carcass - Heartwork – 1993

Um dos pilares criadores do grindcore. O Carcass foi moldando seu som ate chegar no quarto álbum.  Substituindo as letras gore que parecem ter saído de livros de óbitos. Para criticas a uma sociedade decadente.  Esse disco é um daqueles marcos no death metal em que após ouvimos sabendo sobre o panorama da época, percebemos que foi um ponto de mudança.

Com um som mais técnico e harmonioso se comparando com a dos registros anteriores. O Carcass apresentou um trabalho fincando nas melodias dos riffs pesados de guitarra, que lembram algo vindo do heavy tradicional.  Algo que se firmou como uma marca do que começou a ser chamado de death metal melódico, praticado depois por bandas como At the Gates e In Flames.

A abertura com Buried Dreams já é atípica e mostra a mudança. O instrumental como dito anteriormente trás muito mais melodia que anteriormente, em contrapondo com o peso e os vocais guturais de Jeff Walker. Uma seqüência matadora segue com faixas como This Mortal Coil, Embodiment, No Love Lost e a faixa titulo. Um trabalho essencial, tanto para quem curte algo mais extremo, ou para quem quer começar a se aventurar pelo estilo.

Sarcófago – The Laws of Scourge -1991



Pioneirismo, desbravamento, coragem, blasfêmia, polemica. Esses são alguns adjetivos que podemos dar ao grande Sarcófago, um dos marcos do metal negro brasileiro.

Para alguns apenas a banda que rivalizava com o Sepultura deste a época em que tocavam no undeground de BH dos anos 80, para outros, um objeto de culto e adoração. Um dos primeiros nomes mundiais a se aventurar por sons temáticas e atitudes mais extremas. Sendo influencia para toda a cena do black metal norueguês que se instalou nos anos 90. O fato é, Sarcófago é uma banda única que nunca teve medo de ir além no que consideramos pesado, tanto lírico como musicalmente. E aqui temos seu álbum mais bem trabalhado e maduro, melodioso na metida certa. Mas mantendo as qualidades da banda e sua marca, o extremismo e a feracidade.

Ao ouvirmos musicas como Midnight Queen, Screeches From The Silence, Black Vomit ou a faixa bônus Crush, Kill, Destroy. Podemos captar toda a fúria da banda. Num festival de riffs, solos, vocais gélidos e uma técnica não vista antes, que prova que o Sarcófago é sim uma grande banda, e merece todo o reconhecimento que possui.

Fates Warning – Parallels – 1991



De apenas mais uma banda de metal como outras, até provar todo seu potencial e chegar na sua obra prima, Parallels. O Fates Warning fez historia e ajudou a criar algo novo no metal.  Infelizmente não tem o devido reconhecimento, mas gostaria de fechar o texto fazendo justiça a essa grande banda.

Vindo de álbuns com uma pegada mais Iron Maiden, que tinham lá sua qualidade, mas nada demais. O Fates Warning foi moldando seu som para algo mais intricado, sendo considerados juntos com o Queensryche , os precursores e pioneiros do prog metal.
Mas agora você me pergunta: eles influenciaram o Dream Theater? Sim, e muito. Não apenas o Dream Theater, mas todo a leva de bandas de prog que vieram depois. Todas tem uma pequena divida com o Fates Warning.

Mas o que é exatamente o Parallels? Vou resumir falando que é uma mistura de bom gosto musical, melodia e uma técnica absurda usada a favor da musica. Todas as viradas, quebradas de ritmo, riffs e solos estão lá por algum motivo, sendo usados para criar linhas instrumentais belíssimas em contrapondo com vocais certeiros e melódicos. São tão cativantes as musicas que arrisco disser possuem uma sensibilidade quase pop. Sim, é possível fazer isso no metal, com técnica, com peso, só ter competência e criatividade. E isso aqui sobra.


A tempestade de metal do Loudness






O heavy metal em países não americanos ou europeus já não é tão difícil assim de se conhecer como antes. Graças à internet, uma infinidade de bandas ao redor do mundo ficou facilmente acessível para vários headbangers sedentos por novos sons.

Porém, para algumas pessoas, ainda é estranho a idéia de metal feito por culturas tão distantes da sua. Alias, a idéia de qualquer mídia de entretenimento feito por um povo muito diferente do seu ainda é um tabu. Duvida? Só ver o monte de pessoas que não consegue ver filmes estrangeiros que não seja as grandes produções de Hollywood.

Felizmente já existe uma parcela considerável de amantes de bons sons que sabem que a boa musica não possui nacionalidade, raça, sexo ou credo. Basta estar aberto a ouvir.

O lugar que eu gostaria de apontar no começo desse texto é o Japão. Isso mesmo, a terra do Godzilla e do Jaspion. Lugar que parece tão distante da gente, mas que possui uma paixão por heavy metal tão forte quanto a nossa.

Não se enganem em pensar que lá só tem bandas do tão extravagante estilo visual key, grupos que se resumem a fazer aberturas de animes ou o tão amado por uns e odiado por outros, Baby Metal, aquele grupo das três meninas que cantam toda fofas por cima de um instrumental porrada e muito bem feito, o chamado “kawaii metal” (mais um subgênero pra coleção).

 Deste o mais extremo Black metal, ao mais farofa hard rock, eles possuem uma cena riquíssima e pessoas realmente loucas. Não se engane com o jeito pacifico e quieto dos japoneses, em shows lá o bicho pega como em qualquer lugar do mundo. Duvida? Pergunte para o Pedro Poney, vocalista e baixista da banda de thrash metal de Brasilia Violator, que me disse isso numa conversa informal comigo antes de subir no palco, uma vez que tocaram numa cidade próxima a minha.

Exemplos de grupos a serem ouvidos? Maximum the Hormone, Bow Wow, Sly, Ezo, Sabbat, Church of Misery e tantas outras.

Porém gostaria de falar mais exatamente da minha favorita, a clássica Loudness, e daquele que pra mim é seu melhor registro. Estou falando de Thunder in the East.
Antes, vamos falar um pouco da banda.

O Loudness surgiu no inicio da década de oitenta e é considerado o maior nome da cena de heavy metal do Japão. A formação que se consolidou e esta presente nesse álbum é Minoru Nihara (vocal), Akira Takasaki (guitarra), Masayoshi Yamashita (baixo) e Munetaka Higushi (bateria, falecido em 2008)

A banda vinha de álbuns mais sombrios, mas consistentes, como The Birthday Eve e The Law of Devil’s Land, onde foram criando certo nome no undeground do Japão e pelo mundo através das trocas de tapes.

 Porém foi com Thunder In The East, sua esteira na gravadora Atlantic, que eles de fato estouraram e foram colocados no panteão dos grandes dos anos oitenta . Era o loudness e o oriente entrando com um golpe de karate na porta dos grandes nomes do heavy metal.



A química da banda estava perfeita, com cada um desempenhando muito bem o seu papel. Com destaque é claro para o grande guitarrista Akira Takasaki, um grande e criativo musico que não tem o reconhecimento que merece.

 O fato de buscarem uma sonoridade mais acessível e cativante, impulsionada por musicas marcantes e ajudados pela produção de Max Norman, foi um lance determinante para o sucesso e aceitação pelo mundo. Isso é perfeitamente exemplificado na faixa que abre o disco e é sem duvidas o maior hit da banda.

Estou falando de Crazy Nights. Com seu riff característico, levada empolgante e linhas vocais para cantar junto (e aquele inglês com sotaque).  É daquelas musicas que eu colocaria facilmente numa coletânea de grandes hinos do heavy metal de qualquer época e qualquer lugar do mundo. Clássico.

Mas Thunder in The East não se resume a apenas ela. Like Hell é tão boa quanto, e segue o ritmo muito bem. Temos as aceleradas Get Awat  e Clockwork Toy com seu solo animal. Sem contar com We Could Be Together e Run For You Life. Uma faixa boa atrás da outra, que nunca deixa o pique cair.


Resumindo, é um clássico que você certamente precisa ouvir e ter na sua coleção. Escute hoje mesmo.


O fim do Black Sabbath?

Em fevereiro de 2017 o Black Sabbath fez o que antes foi dito ser a ultima apresentação da sua historia. O local: Birmingham, cidade industrial onde surgiu o grupo em meados dos anos sessenta, ainda com o nome Earth.

Dizer da importância da banda na historia da musica, não apenas do rock ou heavy metal é redundante. Pois qualquer pessoa com mínimo conhecimento sabe, que pode não ter sido algo compreendido de imediato, mas eles realmente mudaram o panorama da época e criaram algo para ser lembrando.  Deste o macabro riff da faixa Black Sabbath, primeira faixa do debut homônimo. Todo um conceito de um novo som pesado que iria se aperfeiçoando pelas décadas seguintes foi inserido na musica.

Houve todas as mudanças de formação, a popularidade e vendas que mudavam. Mas a banda se manteve por praticamente cinco décadas.

Em 2015 eles anunciaram o que seria sua ultima turnê. Noticia que deixou muitas pessoas tristes, órfãos daqueles que são considerados os pais do Heavy Metal.

Recentemente em uma entrevista o mestre Toni Iommi desmentiu isso, dizendo que não era exatamente o fim da banda e que eles continuariam.

Agora nos resta pensar, e se fosse realmente o fim do Black Sabbath. Ou melhor, e quando for realmente o fim da banda?

Não podemos exigir que pessoas que estão na beira dos setenta anos continuem trabalhando como garotos de vinte anos. Não podemos exigir que bandas que amamos durem para sempre. Pois são seres humanos, que um dia se esgotam e não agüentam mais trabalhar.

A industria musical em parte ainda é feita por pessoas de carne e osso, pessoas que envelhecem. Não por robôs imortais que estão dispostos a ficarem séculos tocando sem parar. Uma das grandes verdades da vida é que tudo acaba um dia. Por mais difícil que seja aceitar isso, é necessário ter a consciência que nossos ídolos não podem continuar trabalhando apenas para satisfazer certo grupo que pensam não no artista, mas na sua satisfação pessoal.

Sim, assim como você, eu também gostaria que minhas bandas favoritas fossem eternas e que pudessem fazer discos e shows para sempre. Mas sei que isso não pode acontecer. Ter a consciência de que o fim um dia chegara, pode fazer você aproveitar melhor cada momento que passar.

Eu estava na ultima apresentação da banda pelo Brasil. Mais especificamente no show em São Paulo no Morumbi lotado. Um concerto correto, sem nenhuma grande novidade ou surpresa. Apenas o que todos estavam esperando ver.  

Tudo estava lá: Deste os vocais característicos de Ozzy Osbourne e seu carisma habitual, os riffs certeiros e imortais de Tony Iommi. Acompanhado com toda classe do baixo de Geeze Burler. E 

Tommy Clufetos que pode não ser Bill Ward, mas desceu a mão com vontade na bateria, provando que foi uma ótima escolha para assumir o posto. (Além é claro, do escondido Adam Wakeman nos teclados)

Nunca haverá outro Black Sabbath. Mas haverá sim bandas ótimas que manterão a chama do rock acessa.  Bandas que estão surgindo todos os dias, esperando uma chance de serem reconhecidas e terem seu lugar ao sol. E de quebrar o preconceito das pessoas por sons novos. Um preconceito que não deixa fluir todo um movimento cultural, cometido em grande partes por uma maioria saudosista e de cabeça fechada Apenas abra sua mente e coração e deixe a coisa rolar.  Assim como a cada minuto uma pessoa morre no mundo, uma pessoa nasce. Deixe que os tempos passem e mudem. Se lembre do passado com carinho, viva o presente com intensidade e olhe para o futuro.

Black Sabbath, se o final um dia chegar, obrigado por tudo, vocês serão eternos na historia e nos nossos corações.



terça-feira, 3 de novembro de 2015

5 motivos para assistir Zombio 2




1 – É um filme do rei da gorechanchada: Petter Baiestorf

Petter Baiestorf talvez seja um dos realizadores de filmes de baixo orçamento e independentes mais conhecidos e renomados desse país e fora dele. Seus filmes, até mesmo os primeiros e mais “tosquinhos” como O Monstro Legume do Espaço e o primeiro Zombio, já mostravam que o cara tinha olho e talento pra coisa.

Agora, trabalhando com um orçamento um pouco melhor , e com mais experiência adquirida com os anos, ele nos mostra que tem lenha pra queimar ainda. 

Com sua direção dinâmica e objetiva, podemos ver um cara que sabe usar o bom humor em favor de criar situações exageradamente gratuitas, mas que dentro do contexto do filme funcionam muito bem.

2- É um filme brasileiro de zumbis, cara, zumbis!

Cansado de The Walking Dead e os outros milhões de filmes e seriados gringos de zumbis que parecem todos iguais? Acha que o Brasil nunca produziu nada do gênero?

Ora,  já foi realizado varias obras nacionais com esse tema, e essa daqui é uma das melhores.

Alias, uma curiosidade: ele é a sequencia do que é considerado o primeiro filme de zumbis nacional, o cultuado primeiro Zombio

3 – É o filme perfeito pra ver com os amigos

Cheio de momentos de pura diversão,  é um filme perfeito para ver com os amigos e morrer de rir em algum dos momentos mais absurdos já vistos no cinema nacional.

4 – É cheio de gore

Filme de zumbi precisa de tripas e muito sangue né? E aqui ta cheio disso, como toda produção do gênero pede e que infelizmente não ganhamos sempre.

Chega de filmes de zumbi de mariquinha com sangue de computador e mortes off-screen, aqui temos a coisa de verdade.

5 – E putaria também

É cheio de nudez feminina e masculina, do jeito que o povo gosta


Ta esperando o que pra assistir?

Verdades, mentiras e curiosidades sobre o cinema trash

O que é um filme trash? Basicamente é um filme de baixo orçamento cheio de erros técnicos, atuações ruins, e furos no roteiro, seja isso causado propositalmente ou não.

 O trash como gênero

Muitas pessoas costumam designar um filme como trash tentando classificar ele como um gênero. Na verdade ele estaria mais como uma estética e abordagem do que como um gênero.  Seria mais uma linguagem visual, comportamental  e ideológica dentro do filme.

Vejamos bem, você pode fazer um faroeste com jeito trash, um romance, um terror, uma comedia, qualquer gênero pode se aventurar por essa abordagem.

Isso se deve a liberdade autoral que essa forma de fazer cinema propõe, fazendo que até o gênero que ele esta preso tenha mais possibilidades de sair fora do meio-comum.

Trash só vale pra filme de terror

Uma pequena volta no tempo: Nos anos 90 o Zé do Caixão apresentou um programa na Band chamado Cine Trash, onde exibia vários filmes de terror. Pela fama do programa, muitos dos filmes exibidos e a própria obra do Mojica acabou erroneamente ganhando esse termo.

Como eu disse anteriormente, por não se limitar a um gênero, o trash não necessariamente esta preso a o cinema de horror.  E muito menos ao terror de baixo orçamento.

É um fato de que ele ficou famoso no terror, mas muitos clássicos que hoje são considerados trash não partem desse gênero. Um exemplo é Glen ou Glenda do famoso Ed Wood, um quase documentário sobre travestis que de terror não tem nada. Ou até mesmo os filmes da Troma que desconstroem o cinema de gênero, como os filmes de super heróis no mega clássico O Vingador Toxico.

Outro caso famoso é o filme The Room que supostamente deveria ser um drama e acabou virando uma ótima comedia.

 É barato? Só pode ser trash

Orçamento é importante para realizar uma produção, mas também não é tudo. Muitas vezes alem da grana é preciso ter idéias boas e saber como realizá-las.

Porém, nem sempre disso um filme se sustenta. É notável em muitas obras que sobrou boa vontade e falto verba, fazendo com que ele vire o famoso trash acidental, que não tinha o objetivo de ficar daquele jeito.

E muitas vezes o contrario acontece, possuímos um bom orçamento, mas a falta de boa execução acaba fazendo com que o longa se torne uma obra dolorosa de assistir.

Muitas pessoas costumam achar que todo filme barato é trash, um erro absurdo levando em conta que muitos filmes baratos não podem ser classificados dessa forma. Por exemplo, Jogos Mortais é um filme relativamente barato, com efeitos práticos e que nunca poderia ser classificado como trash, devido a ser uma obra redondinha e bem executada tecnicamente.

Alias, existem muitos filmes de orçamento gordo que tem um pé fincado nessa abordagem. Ou tentam passar a idéia de que estão vinculados a isso. Os filmes do Robert Rodriguez são um exemplo clássico disso.