terça-feira, 9 de maio de 2017

Discos que provam que o metal dos anos 90 foi legal sim!

Devido ao desgaste e os excessos criados nos malucos anos 80. O heavy metal, antes, uma musica que surpreendentemente ficou popular, entrou nos anos 90 com sérios problemas: Ele simplesmente não se encaixava mais naquela década sombria.

Onde com o surgimento do grunge, os olhos não estavam mais voltados praqueles cabeludos tocando pesado em meio a riffs épicos e exagerados.  Era o tempo de ser mais introspectivo, de olhar para si mesmo. Era proibido solo de guitarra ou ter um visual mais afetado. É claro, isso não durou tanto como esperavam. Afinal, o mundo gira, o tempo passa e novos interesses vão surgindo.

Mesmo assim é errado dizer que foram anos perdidos, um buraco na historia do metal. Houve sim grandes bandas, grandes álbuns.

Longe do mainstreem é claro. Um erro muito cometido é achar que algo só presta (ou pior, que esse algo existiu), se vende milhões, aparece na TV ou etc. O heavy metal nunca precisou de apoio da mídia para sobreviver e continua firme e forte na historia como uma musica transgressora que sobrevive pela paixão dos fãs e músicos.

Decidi colocar aqui alguns clássicos da década que valem a pena serem descobertos e redescobertos por vocês. Algumas escolhas foram inevitáveis, mas tentei fugir do obvio e colocar um pouco de tudo. Do mais extremo ao mais melódico.
Vamos lá!

Iced Earth – The Dark Saga - 1996


Jon Schaffer pode até ser um cara difícil, daqueles que não conseguem manter a mesma formação da banda de um disco para o outro. Mas é inegável sua capacidade de composição e a pegada forte que ele tem na guitarra base. Sempre guiando o Iced Earth com uma postura firme e fiel ao estilo.

A idéia de gravar um disco inteiro falando do personagem de quadrinhos Spawn pode parecer estranha. Mas a qualidade musical falou mais alto nesse caso.

Matt Barlow já tinha dado o recado no disco anterior, sua estréia no vocal com The Burnt Offerrings, mas é aqui que ele fincou seu lugar de destaque no grupo e a banda se consolidou.

Com musicas de estruturas mais simples, mas não deixando de ser trabalhadas. O Iced Earth conseguiu fazer um disco de alto nível que é fácil de ficar na cabeça.

Helloween – The Time of The Oath - 1996


Para algumas pessoas, Helloween são os dois volumes Keppers of the Seven Keys lançados nos anos 80 e nada mais. Respeito essa opinião.  Mas muitas vezes uma parte importante da historia do grupo alemão, criadores do Power metal, é ignorada e esquecida por pura preguiça e preconceito.

Tudo bem que Andi Derris, que tinha entrado na banda no álbum anterior, substituindo o marcante vocalista Michael Kiske, não tem uma voz muito característica para o Power metal, com um estilo rasgado puxando mais para o hard (ele era vocalista da banda de hard rock Pink Cream 69 antes de entrar para o Helloween). Porém, junto com composições que misturam um pouco da malicia do hard com o epico do Power metal, geraram uma formula que deu muito certo.

Escute os clássicos Power, Steel Tormentor, Before the War , a faixa titulo e ira perceber como esse álbum pode não ser conhecido como os Keepers, mas é tão bom quanto.

Paradise Lost- Draconian Times – 1995


Uma produção limpa que te deixa ouvir claramente cada movimento produzido no disco. Junto com uma execução absurdamente certeira. Envolta de musicas cativantes, com extrema qualidade e beleza. Essa foi a formula para o sucesso de Draconian Times. O álbum de mais sucesso e relevância do Paradise Lost.

O Paradise Lost foi mais uma das bandas européias, a exemplo de Amorphis e Sentenced, que começou com uma raiz death/doom metal ,  moldando seu som ate algo mais experimental e difícil de classificar, com pitadas inclusive de pop oitentista. Sendo muito mais do que uma banda de gothic metal, como é normalmente classificadam, já que é um estilo que ela ajudou a criar e difundir.

Draconian Times é um ponto no meio entre as raízes e o som que viria fazer depois. Uma espécie de mistura entre os dois. Que gerou um heavy metal pesado e atmosférico. Porém direto e que continua moderno.

Melancólico , belo, soturno e pesado. Draconian Times é um disco único.

Grave Digger – Tunes of War - 1996


Grave Digger é um dos pilares do heavy metal tradicional alemão que surgiu nos anos 80 e criaram um certo nome cult, principalmente pelo álbum Heavy Metal Breakdown (1984). Porém, foi apenas na década seguinte em que eles realmente se consolidaram e criaram fama. Colocando seu nome junto dos grandes do metal.

E esse álbum é um dos responsáveis por isso, os fazendo entrarem de pé-direito numa década que não abria muito espaço para um som mais tradicional. Porém, o talento e qualidade musical falou mais alto e o álbum teve seu sucesso merecido. Já que o heavy metal tradicional, com pitadas de Power, é algo que é recriado de maneira estupenda aqui.

unes of War é conceitual e conta a historia da guerra da independência da Escócia. Com um som mais trabalhado e épico que os álbuns anteriores. Sem abrir mão do peso e melodias marcantes.

Deste a introdução com gaitas fole, partindo pela direta Scotland United. É uma musica mais legal que a outra, não abrindo espaço para fillers.Mas se for para apontar destaques eu colocaria: William Wallace (BraveHeart), The Dark of The Sun, a bela The Ballad of Mary (Queen of Scots) e o maior hit da banda, Rebellion ( The Clans Are Marching).

The Gathering – Mandylion - 1995


Como o Paradise Lost, banda que eu citei agora pouco. O Gathering é mais uma banda européia que teve suas raízes no doom/death, ate se fincar no experimentalismo quase pop. Gerando assim um fator de divisão entre os fãs.

Alguns adoram as mudanças, outros odeiam. O fato é que bandas que não tem medo de experimentar nunca serão unanimidade. Mas passar despercebido após ouvir um álbum tão belo como esse é impossível.

Esse terceiro registro da banda é o meu favorito e também o de muitos. Após escutar faixas com a abertura Strange Machines, Leaves e as duas partes de In Motion, fica fácil entender a razão.

Um ponto de virada que ajudou o som da banda a se moldar foi a entrada da vocalista Anneke Van Giersbergen,cheia de beleza e carisma. Sua voz encaixou perfeitamente no doom “experimental” do disco. Com vocais que não exageram nos lirismos, como ficou comum e popular nas bandas de metal com uma vocalista mulher. Anneke não abre mão de linhas energéticas e sensíveis, ao mesmo tempo envoltas da certa melancolia e peso criados pelo instrumental das canções.

Carcass - Heartwork – 1993

Um dos pilares criadores do grindcore. O Carcass foi moldando seu som ate chegar no quarto álbum.  Substituindo as letras gore que parecem ter saído de livros de óbitos. Para criticas a uma sociedade decadente.  Esse disco é um daqueles marcos no death metal em que após ouvimos sabendo sobre o panorama da época, percebemos que foi um ponto de mudança.

Com um som mais técnico e harmonioso se comparando com a dos registros anteriores. O Carcass apresentou um trabalho fincando nas melodias dos riffs pesados de guitarra, que lembram algo vindo do heavy tradicional.  Algo que se firmou como uma marca do que começou a ser chamado de death metal melódico, praticado depois por bandas como At the Gates e In Flames.

A abertura com Buried Dreams já é atípica e mostra a mudança. O instrumental como dito anteriormente trás muito mais melodia que anteriormente, em contrapondo com o peso e os vocais guturais de Jeff Walker. Uma seqüência matadora segue com faixas como This Mortal Coil, Embodiment, No Love Lost e a faixa titulo. Um trabalho essencial, tanto para quem curte algo mais extremo, ou para quem quer começar a se aventurar pelo estilo.

Sarcófago – The Laws of Scourge -1991



Pioneirismo, desbravamento, coragem, blasfêmia, polemica. Esses são alguns adjetivos que podemos dar ao grande Sarcófago, um dos marcos do metal negro brasileiro.

Para alguns apenas a banda que rivalizava com o Sepultura deste a época em que tocavam no undeground de BH dos anos 80, para outros, um objeto de culto e adoração. Um dos primeiros nomes mundiais a se aventurar por sons temáticas e atitudes mais extremas. Sendo influencia para toda a cena do black metal norueguês que se instalou nos anos 90. O fato é, Sarcófago é uma banda única que nunca teve medo de ir além no que consideramos pesado, tanto lírico como musicalmente. E aqui temos seu álbum mais bem trabalhado e maduro, melodioso na metida certa. Mas mantendo as qualidades da banda e sua marca, o extremismo e a feracidade.

Ao ouvirmos musicas como Midnight Queen, Screeches From The Silence, Black Vomit ou a faixa bônus Crush, Kill, Destroy. Podemos captar toda a fúria da banda. Num festival de riffs, solos, vocais gélidos e uma técnica não vista antes, que prova que o Sarcófago é sim uma grande banda, e merece todo o reconhecimento que possui.

Fates Warning – Parallels – 1991



De apenas mais uma banda de metal como outras, até provar todo seu potencial e chegar na sua obra prima, Parallels. O Fates Warning fez historia e ajudou a criar algo novo no metal.  Infelizmente não tem o devido reconhecimento, mas gostaria de fechar o texto fazendo justiça a essa grande banda.

Vindo de álbuns com uma pegada mais Iron Maiden, que tinham lá sua qualidade, mas nada demais. O Fates Warning foi moldando seu som para algo mais intricado, sendo considerados juntos com o Queensryche , os precursores e pioneiros do prog metal.
Mas agora você me pergunta: eles influenciaram o Dream Theater? Sim, e muito. Não apenas o Dream Theater, mas todo a leva de bandas de prog que vieram depois. Todas tem uma pequena divida com o Fates Warning.

Mas o que é exatamente o Parallels? Vou resumir falando que é uma mistura de bom gosto musical, melodia e uma técnica absurda usada a favor da musica. Todas as viradas, quebradas de ritmo, riffs e solos estão lá por algum motivo, sendo usados para criar linhas instrumentais belíssimas em contrapondo com vocais certeiros e melódicos. São tão cativantes as musicas que arrisco disser possuem uma sensibilidade quase pop. Sim, é possível fazer isso no metal, com técnica, com peso, só ter competência e criatividade. E isso aqui sobra.


A tempestade de metal do Loudness






O heavy metal em países não americanos ou europeus já não é tão difícil assim de se conhecer como antes. Graças à internet, uma infinidade de bandas ao redor do mundo ficou facilmente acessível para vários headbangers sedentos por novos sons.

Porém, para algumas pessoas, ainda é estranho a idéia de metal feito por culturas tão distantes da sua. Alias, a idéia de qualquer mídia de entretenimento feito por um povo muito diferente do seu ainda é um tabu. Duvida? Só ver o monte de pessoas que não consegue ver filmes estrangeiros que não seja as grandes produções de Hollywood.

Felizmente já existe uma parcela considerável de amantes de bons sons que sabem que a boa musica não possui nacionalidade, raça, sexo ou credo. Basta estar aberto a ouvir.

O lugar que eu gostaria de apontar no começo desse texto é o Japão. Isso mesmo, a terra do Godzilla e do Jaspion. Lugar que parece tão distante da gente, mas que possui uma paixão por heavy metal tão forte quanto a nossa.

Não se enganem em pensar que lá só tem bandas do tão extravagante estilo visual key, grupos que se resumem a fazer aberturas de animes ou o tão amado por uns e odiado por outros, Baby Metal, aquele grupo das três meninas que cantam toda fofas por cima de um instrumental porrada e muito bem feito, o chamado “kawaii metal” (mais um subgênero pra coleção).

 Deste o mais extremo Black metal, ao mais farofa hard rock, eles possuem uma cena riquíssima e pessoas realmente loucas. Não se engane com o jeito pacifico e quieto dos japoneses, em shows lá o bicho pega como em qualquer lugar do mundo. Duvida? Pergunte para o Pedro Poney, vocalista e baixista da banda de thrash metal de Brasilia Violator, que me disse isso numa conversa informal comigo antes de subir no palco, uma vez que tocaram numa cidade próxima a minha.

Exemplos de grupos a serem ouvidos? Maximum the Hormone, Bow Wow, Sly, Ezo, Sabbat, Church of Misery e tantas outras.

Porém gostaria de falar mais exatamente da minha favorita, a clássica Loudness, e daquele que pra mim é seu melhor registro. Estou falando de Thunder in the East.
Antes, vamos falar um pouco da banda.

O Loudness surgiu no inicio da década de oitenta e é considerado o maior nome da cena de heavy metal do Japão. A formação que se consolidou e esta presente nesse álbum é Minoru Nihara (vocal), Akira Takasaki (guitarra), Masayoshi Yamashita (baixo) e Munetaka Higushi (bateria, falecido em 2008)

A banda vinha de álbuns mais sombrios, mas consistentes, como The Birthday Eve e The Law of Devil’s Land, onde foram criando certo nome no undeground do Japão e pelo mundo através das trocas de tapes.

 Porém foi com Thunder In The East, sua esteira na gravadora Atlantic, que eles de fato estouraram e foram colocados no panteão dos grandes dos anos oitenta . Era o loudness e o oriente entrando com um golpe de karate na porta dos grandes nomes do heavy metal.



A química da banda estava perfeita, com cada um desempenhando muito bem o seu papel. Com destaque é claro para o grande guitarrista Akira Takasaki, um grande e criativo musico que não tem o reconhecimento que merece.

 O fato de buscarem uma sonoridade mais acessível e cativante, impulsionada por musicas marcantes e ajudados pela produção de Max Norman, foi um lance determinante para o sucesso e aceitação pelo mundo. Isso é perfeitamente exemplificado na faixa que abre o disco e é sem duvidas o maior hit da banda.

Estou falando de Crazy Nights. Com seu riff característico, levada empolgante e linhas vocais para cantar junto (e aquele inglês com sotaque).  É daquelas musicas que eu colocaria facilmente numa coletânea de grandes hinos do heavy metal de qualquer época e qualquer lugar do mundo. Clássico.

Mas Thunder in The East não se resume a apenas ela. Like Hell é tão boa quanto, e segue o ritmo muito bem. Temos as aceleradas Get Awat  e Clockwork Toy com seu solo animal. Sem contar com We Could Be Together e Run For You Life. Uma faixa boa atrás da outra, que nunca deixa o pique cair.


Resumindo, é um clássico que você certamente precisa ouvir e ter na sua coleção. Escute hoje mesmo.


O fim do Black Sabbath?

Em fevereiro de 2017 o Black Sabbath fez o que antes foi dito ser a ultima apresentação da sua historia. O local: Birmingham, cidade industrial onde surgiu o grupo em meados dos anos sessenta, ainda com o nome Earth.

Dizer da importância da banda na historia da musica, não apenas do rock ou heavy metal é redundante. Pois qualquer pessoa com mínimo conhecimento sabe, que pode não ter sido algo compreendido de imediato, mas eles realmente mudaram o panorama da época e criaram algo para ser lembrando.  Deste o macabro riff da faixa Black Sabbath, primeira faixa do debut homônimo. Todo um conceito de um novo som pesado que iria se aperfeiçoando pelas décadas seguintes foi inserido na musica.

Houve todas as mudanças de formação, a popularidade e vendas que mudavam. Mas a banda se manteve por praticamente cinco décadas.

Em 2015 eles anunciaram o que seria sua ultima turnê. Noticia que deixou muitas pessoas tristes, órfãos daqueles que são considerados os pais do Heavy Metal.

Recentemente em uma entrevista o mestre Toni Iommi desmentiu isso, dizendo que não era exatamente o fim da banda e que eles continuariam.

Agora nos resta pensar, e se fosse realmente o fim do Black Sabbath. Ou melhor, e quando for realmente o fim da banda?

Não podemos exigir que pessoas que estão na beira dos setenta anos continuem trabalhando como garotos de vinte anos. Não podemos exigir que bandas que amamos durem para sempre. Pois são seres humanos, que um dia se esgotam e não agüentam mais trabalhar.

A industria musical em parte ainda é feita por pessoas de carne e osso, pessoas que envelhecem. Não por robôs imortais que estão dispostos a ficarem séculos tocando sem parar. Uma das grandes verdades da vida é que tudo acaba um dia. Por mais difícil que seja aceitar isso, é necessário ter a consciência que nossos ídolos não podem continuar trabalhando apenas para satisfazer certo grupo que pensam não no artista, mas na sua satisfação pessoal.

Sim, assim como você, eu também gostaria que minhas bandas favoritas fossem eternas e que pudessem fazer discos e shows para sempre. Mas sei que isso não pode acontecer. Ter a consciência de que o fim um dia chegara, pode fazer você aproveitar melhor cada momento que passar.

Eu estava na ultima apresentação da banda pelo Brasil. Mais especificamente no show em São Paulo no Morumbi lotado. Um concerto correto, sem nenhuma grande novidade ou surpresa. Apenas o que todos estavam esperando ver.  

Tudo estava lá: Deste os vocais característicos de Ozzy Osbourne e seu carisma habitual, os riffs certeiros e imortais de Tony Iommi. Acompanhado com toda classe do baixo de Geeze Burler. E 

Tommy Clufetos que pode não ser Bill Ward, mas desceu a mão com vontade na bateria, provando que foi uma ótima escolha para assumir o posto. (Além é claro, do escondido Adam Wakeman nos teclados)

Nunca haverá outro Black Sabbath. Mas haverá sim bandas ótimas que manterão a chama do rock acessa.  Bandas que estão surgindo todos os dias, esperando uma chance de serem reconhecidas e terem seu lugar ao sol. E de quebrar o preconceito das pessoas por sons novos. Um preconceito que não deixa fluir todo um movimento cultural, cometido em grande partes por uma maioria saudosista e de cabeça fechada Apenas abra sua mente e coração e deixe a coisa rolar.  Assim como a cada minuto uma pessoa morre no mundo, uma pessoa nasce. Deixe que os tempos passem e mudem. Se lembre do passado com carinho, viva o presente com intensidade e olhe para o futuro.

Black Sabbath, se o final um dia chegar, obrigado por tudo, vocês serão eternos na historia e nos nossos corações.



terça-feira, 3 de novembro de 2015

5 motivos para assistir Zombio 2




1 – É um filme do rei da gorechanchada: Petter Baiestorf

Petter Baiestorf talvez seja um dos realizadores de filmes de baixo orçamento e independentes mais conhecidos e renomados desse país e fora dele. Seus filmes, até mesmo os primeiros e mais “tosquinhos” como O Monstro Legume do Espaço e o primeiro Zombio, já mostravam que o cara tinha olho e talento pra coisa.

Agora, trabalhando com um orçamento um pouco melhor , e com mais experiência adquirida com os anos, ele nos mostra que tem lenha pra queimar ainda. 

Com sua direção dinâmica e objetiva, podemos ver um cara que sabe usar o bom humor em favor de criar situações exageradamente gratuitas, mas que dentro do contexto do filme funcionam muito bem.

2- É um filme brasileiro de zumbis, cara, zumbis!

Cansado de The Walking Dead e os outros milhões de filmes e seriados gringos de zumbis que parecem todos iguais? Acha que o Brasil nunca produziu nada do gênero?

Ora,  já foi realizado varias obras nacionais com esse tema, e essa daqui é uma das melhores.

Alias, uma curiosidade: ele é a sequencia do que é considerado o primeiro filme de zumbis nacional, o cultuado primeiro Zombio

3 – É o filme perfeito pra ver com os amigos

Cheio de momentos de pura diversão,  é um filme perfeito para ver com os amigos e morrer de rir em algum dos momentos mais absurdos já vistos no cinema nacional.

4 – É cheio de gore

Filme de zumbi precisa de tripas e muito sangue né? E aqui ta cheio disso, como toda produção do gênero pede e que infelizmente não ganhamos sempre.

Chega de filmes de zumbi de mariquinha com sangue de computador e mortes off-screen, aqui temos a coisa de verdade.

5 – E putaria também

É cheio de nudez feminina e masculina, do jeito que o povo gosta


Ta esperando o que pra assistir?

Verdades, mentiras e curiosidades sobre o cinema trash

O que é um filme trash? Basicamente é um filme de baixo orçamento cheio de erros técnicos, atuações ruins, e furos no roteiro, seja isso causado propositalmente ou não.

 O trash como gênero

Muitas pessoas costumam designar um filme como trash tentando classificar ele como um gênero. Na verdade ele estaria mais como uma estética e abordagem do que como um gênero.  Seria mais uma linguagem visual, comportamental  e ideológica dentro do filme.

Vejamos bem, você pode fazer um faroeste com jeito trash, um romance, um terror, uma comedia, qualquer gênero pode se aventurar por essa abordagem.

Isso se deve a liberdade autoral que essa forma de fazer cinema propõe, fazendo que até o gênero que ele esta preso tenha mais possibilidades de sair fora do meio-comum.

Trash só vale pra filme de terror

Uma pequena volta no tempo: Nos anos 90 o Zé do Caixão apresentou um programa na Band chamado Cine Trash, onde exibia vários filmes de terror. Pela fama do programa, muitos dos filmes exibidos e a própria obra do Mojica acabou erroneamente ganhando esse termo.

Como eu disse anteriormente, por não se limitar a um gênero, o trash não necessariamente esta preso a o cinema de horror.  E muito menos ao terror de baixo orçamento.

É um fato de que ele ficou famoso no terror, mas muitos clássicos que hoje são considerados trash não partem desse gênero. Um exemplo é Glen ou Glenda do famoso Ed Wood, um quase documentário sobre travestis que de terror não tem nada. Ou até mesmo os filmes da Troma que desconstroem o cinema de gênero, como os filmes de super heróis no mega clássico O Vingador Toxico.

Outro caso famoso é o filme The Room que supostamente deveria ser um drama e acabou virando uma ótima comedia.

 É barato? Só pode ser trash

Orçamento é importante para realizar uma produção, mas também não é tudo. Muitas vezes alem da grana é preciso ter idéias boas e saber como realizá-las.

Porém, nem sempre disso um filme se sustenta. É notável em muitas obras que sobrou boa vontade e falto verba, fazendo com que ele vire o famoso trash acidental, que não tinha o objetivo de ficar daquele jeito.

E muitas vezes o contrario acontece, possuímos um bom orçamento, mas a falta de boa execução acaba fazendo com que o longa se torne uma obra dolorosa de assistir.

Muitas pessoas costumam achar que todo filme barato é trash, um erro absurdo levando em conta que muitos filmes baratos não podem ser classificados dessa forma. Por exemplo, Jogos Mortais é um filme relativamente barato, com efeitos práticos e que nunca poderia ser classificado como trash, devido a ser uma obra redondinha e bem executada tecnicamente.

Alias, existem muitos filmes de orçamento gordo que tem um pé fincado nessa abordagem. Ou tentam passar a idéia de que estão vinculados a isso. Os filmes do Robert Rodriguez são um exemplo clássico disso.


quarta-feira, 16 de setembro de 2015

Discografia comentada: Exodus

Poucas coisas na vida são mais violentas e intensas do que ouvir em alto volume Exodus. Seja ele nos álbuns ou nos inesquecíveis shows do grupo. Banda que foi injustamente deixada de lado por muito tempo pela grande mídia e fãs da musica pesada, sendo ofuscado por outros medalhões do gênero (alguns até manjados). Mas que felizmente durante esses anos tem conquistado seu espaço na cena. 

Marcando seu nome eternamente nos corações de quem gosta de thrash metal e mostrando que a luta e trabalho duro acima de qualquer adversidade valem a pena, e olha que a banda, pioneira do estilo, já passou por cada problema.

Lembrando que é sempre bom exaltar a importância do guitarrista Gary Holt. Dono de uma técnica e felling incríveis, ele é um verdadeiro arquiteto na arte de criar musica pesada. Único membro presente em todas as formações do grupo, ele manteve firme a banda durante todos os anos e finalmente esta recebendo o merecido reconhecimento de ser um dos melhores guitarristas do metal. 
Ah, ele esta tocando no Slayer  também, substituindo o falecido Jeff Hanneman.

Podemos dizer que hoje em dia a banda vive seus melhores momentos, porém nem sempre foi assim. Mesmo com a qualidade absurda de muitos dos seus álbuns, vamos a eles:

P.S: Vou apenas falar dos álbuns de estúdio;

Bonded By Blood - 1985

Algumas bandas precisam de uma carreira inteira para se firmar na cena, criarem um clássico ou conquistarem uma legião de fãs. Algumas bandas precisam apenas de um álbum, mas precisamente um álbum de estréia. E esse é o caso aqui.

Com musicas que exaltam o metal como estilo de vida, como a faixa titulo e Metal Command. E a mais pura violência e agressividade, algo que pode parecer ingênuo hoje em dia, mas que possui seu charme, afinal, para época o lema “Kill the posers”, gritando em alto som nos shows do grupo, fazia muito sentido.

E não é só na parte lírica que esse disco é extremo, musicalmente ele é um verdadeiro soco na cara, onde o único momento leve é a abertura da faixa No Love. Sabe aqueles álbuns que você coloca no aparelho de som e tem vontade de sair num mosh e tudo mais? Então..

Talvez o disco mais conhecido da banda, foi tocado na integra muitas vezes e é celebrado por fãs e músicos em geral como um dos melhores do estilo. Eu mesmo tenho uma relação especial com ele, já que foi o primeiro da banda que eu ouvi e um dos primeiros álbuns de thrash metal que tive em mãos, me levando para esse caminho sem volta.

Para ter uma noção boa da qualidade assustadora desse registro, darei um exemplo de uma situação que pode acontecer: Se uma pessoa não conhece nada, ou muito pouco desse estilo chamado thrash metal e quer começar por algum lugar, mostre esse álbum, vai na minha que a pessoa na certa vai começar a ver o estilo com outros olhos.

Vale lembrar que ele foi regravado e lançado em 2008, com o nome Let There Be Blood, contendo a formação da época. O resultado ficou muito bom ,mas longe de ser algo memorável e original como o clássico

Esse foi o único álbum de estúdio com o lendário e hoje já falecido vocalista Paul Barloff, no seguinte ele seria substituto pelo Ex-Legacy (atual Testament) Steve “Zetro” Souza, devido aos seus problemas com bebidas e outras substancias.
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Pleasures Of The Flesh- 1887

E por falar em Zetro Souza, esse foi o primeiro registro lançado por ele nos vocais. Algo que desagradou (e infelizmente continua desagradando) muitos fãs, principalmente aqueles que seguiam Paul Barloff, que era realmente um monstro ao vivo.

Porém, Zetro é um cara legal, sua voz combina com o estilo, o repertorio aqui é condizente com a qualidade do grupo, com musicas mostrando que a banda estava afiada. Então, como esse registro é tão esquecido? Ou melhor, é tão subestimado?

Qualidade não falta aqui, inclusive com musicas que podem facilmente entrar no setlist da banda a qualquer momento, sendo verdadeiras porradas e uma resposta na forma de chutes na bunda para as pessoas que pensavam que a banda iriam amaciar o som.

 Musicas como a faixa titulo,  Brain Dead e Seeds Of Hate são destaque, todas elas com ótimos riffs e andamentos, mostrando inclusive um apuro técnico maior que do álbum de estreia.

Talvez não tenha o mesmo impacto do registro de estréia,inclusive para a  critica e para o publico, que na época de lançamento deixou ele um pouco de lado, sem contar a péssima distribuição que recebeu, fazendo que ele vendesse muito abaixo do esperado.

Mas no geral, ele esta com o tempo recebendo o valor que merece. Se você costuma deixar ele de lado, considerando como um álbum menor da fase clássica do grupo, dê uma segunda chance a ele, garanto que pode se surpreender.

Fabulous Disaster- 1989

Nessa época o thrash metal estava vivendo uma mudança drástica. Suas bandas ou migravam para um som mais cadenciado, puxado para o heavy tradicional, ou se tornavam mais extremas. Podemos dizer que o Exodus ficou no meio termo.

As melodias fáceis e pegajosas, seja nos instrumentais ou nas linhas vocais estão mais presentes do que nunca aqui. Achou estranho eu dizer isso num álbum de thrash metal? Pois é, mas não pense que a pancadaria sonora foi deixada de lado, a banda continua mais nervosa do que nunca.

Só que dessa vez a técnica apurada pelos anos tocando foi usado em prol de duas coisas: criar musica extrema e bem feita, técnica e ao mesmo tempo de fácil assimilação. Mesmo as faixas mais longas como Like Father, Like Son , possuem essas características, e eu te digo uma coisa meu amigo, isso não é pra qualquer um.

A verdade é que a banda estava deixado seu lado mais ingênuo (e às vezes dito “tosco”) de lado. Incluindo nas letras, se focando mais em política e problemas sociais.

Talvez pelo excesso de melodia, muitas pessoas desgostem desse álbum, tachando que a banda estava começando a mudar para atrair o mercado. Bobagem, a verdade é que o Exodus estava amadurecendo.  

Além de clássicos como a faixa titulo, Corruption e The Last Act of Defiance. O disco tem um dos maiores hits da historia da banda, sendo tocado em praticamente todos os shows. Estou falando é claro de The Toxic Waltz.

Impact is Imminent- 1990

                                         
E eles entram na década de 90 tirando o pé do acelerador, mas não deixando o  heavy de lado. É isso que podemos ver nesse registro: musicas mais cadenciadas, porem com um peso incrível e aquela velha agressividade de sempre, dessa vez de certa forma mais condensada. 

Contando com uma produção ótima pra época, que deixou os riffs bem encorpados, temos aqui como no registro anterior musicas longas e complexas, talvez até longas e complexas demais.  Um verdadeiro tiro no pé pra época, pois aqui temos um registro totalmente não comercial, indo de contramão ao que estava começando a se instalar no meio musical do heavy e thrash metal.

Porém, mesmo com tudo, ainda tenho problemas com esse registro, vou tentar explicar:

Apesar de sua qualidade e de possuir seus destaques, falta algo que o álbum anterior fazia com maestria, que era juntar a técnica e a complexidade das musicas com a melodia e a dinâmica, fazendo com que elas sejam pegajosas e não enjoem. É louvável que a banda tenha tido coragem de continuar tocando o som pesado e agressivo, porem, antes esse som tinha um lado que fazia entrar fácil na cabeça, mesmo dentro de toda violência sonora.

Ainda é um bom álbum e bastante extremo, talvez contendo algumas das passagens mais violentas e pesadas do Exodus até o momento, porem, só isso não é suficiente para que ele esteja acima do nível, como foram os anteriores a ele.

Sei que muita gente o adora e isso é compreensível, eu mesmo gosto bastante de algumas faixas dele. Porem, não se pode negar que a banda estava entrando em um momento bem estranho da sua carreira.


Force Of Habit- 1992

Algo aconteceu para o mundo da musica pesada, e por que não, da musica mundial em 1991. E isso é o auto-intitulado quinto álbum do Metallica, o popular álbum negro. Além de ter sido um sucesso comercial incrível até hoje. Podemos dizer que esse registro mudou a carreira não só do Metallica, que foram dos reis do undeground thrash para encherem arenas e irem deixando o som cada vez mais “pop”. Mas de todas as bandas da leva que tentaram emular não apenas o som tirado nesse álbum, mas o seu sucesso de vendas.

É claro que muitas bandas não ligaram pra isso e continuaram até mais extremas do que antes, caso do Slayer que mantém uma integridade musical impar. O Exodos parecia que iria seguir o mesmo caminho, mas não foi  exatamente isso que aconteceu.

Porém, das bandas que tentaram repetir o sucesso do Metallica, dentro os registros que tivemos na 
época, podemos separar em dois grupos: aqueles que falharam ao amaciar o som. E aqueles que mesmo com as mudanças , conseguiram fazer algo digno .

Onde o Exodus estava nesse momento? Bem ,infelizmente podemos dizer que eles entraram na onda de gravar algo que a gravadora  propunha ser mais acessível as rádios, Mtv e ao publico em geral. Como disse certa vez Gary Holt: “foi o primeiro álbum que não fiz o que eu exatamente queria”
Felizmente, a banda entrou no grupo que conseguiu fazer algo digno, ou pelo menos chegou perto. 

Mesmo que seja diferente, e que de certa forma falte um pouco da personalidade da banda, não podemos dizer que esse álbum seja totalmente ruim. Os riffs e peso ainda estão lá, só que dessa vez de uma forma diferente.

Conheço muita gente que detesta esse álbum mesmo sem ter ouvido ele antes, apenas pela sua má fama. Meu amigo, dê mais uma chance para ele, você pode até não gostar, mas é bem melhor não gostar de algo sabendo o porque e conhecendo ele, do que não gostar apenas porque ouviu na internet meia dúzia de pessoas falando mal.

Tempo Of The Damned- 2004

Como podemos ver os anos 90 não foram dos mais favoráveis a banda, o que podemos destacar nessa época foi o retorno do vocalista original que registrou um ótimo álbum aovivo. O  Another Lesson In Violence. Fora isso, o grupo estava praticamente morto.

Após um bom tempo sem lançar nada de estudio, o Exodus volta com tudo, com aquele que pra mim é seu registro mais forte dos últimos anos, um álbum tão incrível que consegue bater de frente fácil com qualquer disco gravado por eles nos anos 80 e por qualquer outra banda.

Não é errado dizer que esse é um verdadeiro clássico do começo dos anos 2000. Mostrando que a banda ainda estava viva, e que principalmente, o verdadeiro thrash metal estava vivo. Vale lembrar que estávamos num momento que o revival do estilo estava começando, com bandas novas e antigas lançando trabalhos dignos de nota.

Estamos falando do incrível Tempo Of The Damned, de onde saíram clássicos e que espero que nunca saiam do setlist da banda como Blacklist e War Is My Shepherd. Essas duas costumam ser as mais lembradas, porém o registro todo é acima da média, com musicas como Throwing Down, Scar Spangled Banner e Foward March.

Podemos ver aqui que a banda voltou a formula que deu certo em Fabulous Disaster. Porém, com uma abordagem atual para época e que continua atual até hoje (não foi tanto tempo assim, mas 2004 às vezes parecem que foram a milhões de anos atrás).

Parece que finalmente depois de dois registros regulares, e de muitos anos depois, eles perceberam o som que agradava tanto a critica quando o publico , além de ainda se manterem fieis ao que eles realmente eram. Não era difícil pegar uma publicação da época, e ver muitos elogios a Tempo, elogios merecidos, além de continuar sendo até hoje um álbum bem aceito e amado pelos fãs novos e de longa data.

Shovel Headed Kill Machine- 2005

Aqui temos o primeiro registro com um novo vocalista: Rob Dukes, um cara que dividiu e continua dividindo opiniões sobre seu trabalho na banda. Principalmente entre os fãs mais antigos, que não curtiram muito o estilo mais hardcore/Phil Anselmo que ele tinha. Isso foi mudando com os anos, com ele se adaptando melhor ao som da banda.

Vi dois shows com Dukes a frente dos vocais, e posso dizer que apesar dos vocais serem discutíveis, ele sabia como fazer o publico ficar doido,, dando uma agressividade muito bem vinda as musicas e incentivando o mosh a todo momento, um verdadeiro frontman para uma verdadeira banda do estilo.

O que podemos ver nesse disco é uma continuação natural do anterior, porém sem o mesmo 
charme, ainda que mantenha uma qualidade boa. Mas isso deve ser porque considero o Tempo ..um registro acima de média para qualquer banda, ou seja, tenho um caso especial com ele.

As musicas continuam longas, técnicas e bem construídas, porem, a favor das canções. Algo que eu sempre volto a dizer: Exodus é uma das bandas que melhor consegue fazer isso. Junto com Testament, Megadeth, Kreator  e Artillery.

Podemos dizer que com a entrada do novo vocalista, e do seu estilo vocal, temos um álbum até mais extremo que o anterior.  Com passagens de pura porrada, que aliadas a técnica da banda, formam aquela massa sonora que todos adoramos no Exodus.

No geral, temos um bom álbum, amado por alguns e injustamente esquecido por muitos . Parece que a banda ainda podia mostrar algo melhor, mesmo que esse registro tenha seus ótimos momentos, não é dos que grudam na primeira ouvida, mas vale a conferida.

 The Atrocity Exhibition: Exhibit A- 2007

Se o disco anterior dividiu opiniões, não exatamente pela qualidade das musicas, mas pelo vocal. Nesse o saldo positivo de critica e publico foi bem maior. Com as pessoas aceitando melhor o trabalho do vocalista Rob Dukes que aqui ainda estava com seus berros, mas dessa vez melhor encaixados nas musicas. Além de que estava bem mais entrosado com a banda nos shows, inclusive nas musicas não gravadas originalmente por ele

Podemos ver aqui uma banda mais segura de si, mostrando composições fortes, e sinceramente, melhores que do registro anterior.Novamente a banda acerta a mão, ao apostar numa volta ao passado, mas com uma pegada atual no meio.

Com isso, podemos perceber que eles pegaram o que deu certo no álbum anterior e focaram nisso. Ou seja, musicas pesadas, técnicas, agressivas, com uma abordagem atual, mas que você escuta e pensa logo de cara: isso é exodus dos anos 2000.

Podemos ver aqui faixas com um tom épico e grandioso, como na faixa titulo e no maior sucesso do álbum, a musica Children Of A Worthless God. Uma musica tão boa que merece fincar no hall de clássicos do grupo e que é sempre muito bem vinda nas apresentações ao vivo. Podemos notar também que aqui temos as musicas mais longas da banda.

Exhibit B: The Human Condition- 2010

Deixando de lado o tom mais épico do álbum anterior, e partindo para algo mais direto, como um retorno as origens que o álbum Tempo.. já  propunha.  Exhibit B talvez seja o álbum com Dukes com mais cara do Exodus antigo. Isso se deve as musicas que estão com uma pegada de thrash 80’s extrema. Só que com uma produção ótima. Alias, elogiar a produção dos álbuns do Exodus do Tempo pra cá é chover no molhado, contando geralmente com o ótimo Andy Sneap encarregado desse trabalho.

Saudosismos baratos de lado, para uma banda como essa, isso não é algo negativo. Claro, é sempre preciso olhar para frente, mas manter um pé na atualidade, e outro pé respeitando o que fez no passado, pode ser algo muito favorável para certas bandas.
A segurança que a banda tinha  ganhado no registro anterior continuou aqui, ainda maior para falar a verdade. Pois aqui, mesmo que o grupo esteja com o jogo ganho, eles ainda se preocuparam em lançar musicas de alta qualidade. Não é difícil pra mim considerar esse o meu registro favorito com o Rob Dukes.

O resultado no geral é uma banda que estava crescendo de qualidade a cada novo registro, essa formação do Exodus parecia que iria durar até o fim da banda, não foi bem isso que aconteceu...


Blood In, Blood Out- 2014

E chegamos a o ultimo álbum de estúdio do Exodus, lançado no ano passado, ele marca o retorno (muito bem vindo) do antigo vocalista Steve “Zetro” Souza, que estava indo bem na sua banda Hatriot, mas para felicidade dos fãs da sua fase no Exodus, finalmente assumiu novamente os vocais.
Todo respeito a Rob Dukes , é claro, o trabalho dele no Exodus, principalmente sua insanidade no palco será sempre lembrado.

Agora voltando a o álbum, nota-se durante varias passagens uma banda mais descompromissada, apenas tocando o que gostam , não pensando se algumas faixas podem virar clássicos no futuro, mas na qualidade que elas tem sendo ouvidas hoje em dia.

Isso significa que as musicas são ruins? Não mesmo, deixe eu explicar: Bandas como Exodus  não precisam se esforçar para ficar na media alta ou positiva, eles simplesmente lançam seu material e já esperamos a qualidade sonora de sempre.  Aqui não temos uma banda desesperada em mostrar o que sabem fazer, eles apenas fazem, e visto as circunstâncias do lançamento do álbum, temos uma banda novamente bem firme em sua proposta.

Talvez inspirados pela volta do Zetro, esse álbum lembra o Tempo Of The Damned em um sentido: é mais uma volta da banda a o som de origem, mas com uma pegada atual, algo que já estava acontecendo no álbum anterior.

Um fator que pode ter decepcionado muita gente são os vocais, e isso é fácil de entender. Muita gente que prefere o Dukes vai estranhar de começo o vocal mais “Pato Donald” do Zetro, porem, eu mesmo demorei a me acostumar com o vocal do Dukes quando comecei a ouvir a banda com ele, então...




Como podem ver é uma discografia bastante respeitável e consistente, além desses álbuns de estúdio o Exodus tem alguns ao vivo, vale a pena destacar um: Another Lesson In Violence, marcando o retorno de Paul Barloff aos vocais por um curto período de tempo. 



quarta-feira, 2 de setembro de 2015

Nem Vamos Tocar Nesse Assunto




Lançado no inicio de julho, o segundo e novo álbum da banda Gentileza, chamado Nem Vamos Tocar nesse assunto  é uma boa surpresa e tem tudo para cair nas graças de quem o ouvir.

Essa é uma boa pedida para quem gosta de um bom som, seja ele rock, indie, pop ou folk. Chame como quiser, aqui temos um álbum com arranjos interessantíssimos e um toque deliciosamente nacionalista durante toda a audição.  Fazendo um som original que fugindo do lugar comum e não utilizando clichês tradicionais do gênero nos trás uma audição extremamente agradável.

Com um som propositalmente rústico, áspero e totalmente natural em sua proposta. O grupo não deixa a leveza e melodia ser deixado de lado junto de toda a massa sonora de instrumentos e vocalizações.

O álbum a se aproveita de varias camadas de vocais em algumas faixas, com coros bem encaixados, lembrando até marchinhas de carnaval. Juntos da voz principal formam um elemento poderoso aliada ao instrumental encorpado fazendo a banda nos mostrar toda sua desenvoltura 

O que podemos ouvir aqui é uma ótima produção que deixou tudo no seu devido lugar. Fazendo com que todos os instrumentos e vocais sejam jogados bem altos e rigorosos na sua cara. Mas sem deixar que vire uma bagunça sonora, daquelas que se utilizam da barulheira sem sentido para disfarçar a má qualidade da produção e das musicas. Tudo aqui pode ser ouvido perfeitamente, cada pequeno momento pode ser tranquilamente absorvido pelo ouvinte. O som é pesado em certo sentido, pesado, melódico, e muito bem produzido.

Em faixas que muitas vezes tratam de forma natural, humorada, auto-critica e amargamente sarcástica os relacionamentos atuais, sejam eles físicos ou emocionais, amorosos ou não. A parte lírica do álbum pode ser facilmente associável para qualquer pessoa, mesmo que estejam distantes das historias curiosas aqui contadas.

Sem medo de navegar na mais pura experimentação, mas mesmo assim, mantendo uma suavidade e apelo popular, Nem Vamos Tocar Nesse Assunto consegue ser musica pop de qualidade.

 Nada de falsas pretensões ou malabarismos técnicos que não levam a lugar nenhum e apenas servem para mostrar o ego dos músicos. Toda a técnica aqui é posta a favor dos arranjos das canções, tudo aqui é colocado no seu devido lugar, na hora certa. Sem masturbações musicais, a banda sabe como colocar uma melodia na sua cabeça se aproveitando dos recursos que tem.

E nada também de popularismo medíocre e barato, daqueles que entopem nossos ouvidos todos os dias, feitos exclusivamente para vender como carnes no açougue. A musica é sim feita para agradar facilmente. Mesmo que isso estranhamente ocorra por meio de melodias que feitas por qualquer outro pareceriam desconexas, mas aqui estão envoltas de um apelo pop no sentido positivo da coisa. Mostrando que pode  fazer musica sofisticada sem ser chato, e ser popular sem ser burro.

Recomendo