quarta-feira, 11 de março de 2015

5 filmes para conhecer: terror italiano

O horror italiano viveu sua época de outro durante os anos 60 até começo dos 90. Foi nesse período que grandes clássicos que continuam influenciado gerações foram lançados. Gostaria aqui de listar apenas cinco filmes essenciais para que você entre no maravilhoso mundo do cinema de terror italiano. Não quero de maneira nenhuma resumir o gênero a apenas cinco filmes e muita coisa boa ficou de fora. Quero apenas dar uma rápida e boa sugestão para quem quer começar a conhecer essa apaixonante e apavorante filão. Boa diversão! 

P.S: Escolhi apenas filmes disponíveis em vídeo no Brasil.


1 – Terror nas Trevas (...E Tu Vivrai Nel Terrore! L'aldilà, 1981, Direção: Lucio Fulci)
Se você quer entender o impacto que o diretor Lucio Fulci teve para todo o gênero de terror em geral, principalmente o gore, recomendo fortemente assistir esse filme aqui. Lançado em 1981, o influente filme inexplicavelmente estava inédito em DVD no Brasil. Até ser lançado esse ano pela Versátil num ótimo box com outras perolas do terror. Esqueça os furos do roteiro (que são maiores que os furos na cabeça dos zumbis) e embarque nessa viagem cheia de sangue, visual, e aranhas carnívoras.
Gostou? Veja também: Zombie – A volta dos mortos.



2 –  Lisa e o Diabo ( Lisa e Il Diavolo, 1974, Direção: Mario Bava)
Falar de Mario Bava é como falar de uma instituição do cinema de fantasia e terror gótico italiano. Referenciado como mestre e influencia para muitos outros que vieram depois, inclusive fora da Itália. Seus filmes tinham um visual e estilo único, e escolher apenas um é uma tarefa difícil, porem meu favorito até o momento é essa perola aqui. Assista e descubra o porquê Bava era um diretor único.
Gostou? Veja também: A Mascara de Satã.



3 – Phenomena (Phenomena, 1985, Direção: Dario Argento)
Junto com Mario Bava, Dario Argento deve ser o diretor italiano mais influente e conhecido de todos os tempos. O cara que praticamente popularizou o giallo (suspense italiano) e fez dele um gênero solido. Esse aqui pode não ser seu trabalho mais famoso ou influente, mas é muito querido por mim e representativo na carreira dele. Perfeito para uma noite de sábado.
Gostou? Veja também: Suspiria



4 – Demons – Filhos das Trevas ( Demoni, 1985 , Direção: Lamberto Bava
Lamberto Bava é filho de Mario Bava, e assim com o pai se aventurou pelo mundo do cinema. Seu grande clássico e filme mais lembrado é esse aqui. Com muita escatologia e cenas exageradas passadas num cinema, é diversão pura para todos. O filme respira anos 80, principalmente pela trilha sonora, embalada num bom hard rock e heavy metal
Gostou? Veja também: Demons 2 – Eles Voltaram 



5 – Pelo Amor E Pela Morte ( DellaMorte DellaMore, 1993,Direção: Michele Soavi)
Lançado no final da era de outro do cinema italiano de gênero. Essa bizarra e única perola é talvez o ultimo grande clássico do cinema de horror vindo do país da bota. Um filme de zumbis realmente diferente que pode fazer sua cabeça explodir. Seja pelo humor negro, pela violência ou pelos seus carismáticos (e malucos) personagens.

Gostou? Veja também: A Catedral 




Coisas que eu quero ver nos novos Star Wars

1 – Sabres de Luz ao modo velho.

Uma das marcas mais lembradas pelos fãs é o sabre de luz. Arma usada por ambos Jedis e Siths que consiste basicamente numa espada laser. O legal na trilogia clássica era que havia toda uma expectativa para eles aparecerem, e consequentemente suas batalhas. Podem argumentar que com as prequels as lutas ficaram melhores para alguns. Melhor coreografadas, mas mais exageradas.
As lutas dos filmes clássicos podem parecer mais simples, mas eram melhor construídas, toda a expectativa delas finalmente acontecerem, e o desenrolar delas que fazem elas serem tão esperadas. Poucos momentos são mais tensos que a luta de Luke contra Vader no final do Império Contra Ataca.
O que quero dizer é que menos é mais. Mais tensão para criar uma cena é melhor do que joga-la para o publico na cara a todo instante. Por isso, menos pulos e cambalhotas, mais tensão.

2 – Luke, Leia, Han e Cia da trilogia clássica darem lugar a novos personagens.

Me dói no coração falar isso e tive que pensar muito antes de escrever essas palavras. Mas por mais que eu ame esses personagens e tenha crescido com eles, eu realmente gostaria que eles passassem a bandeira para outros novos personagens.
Pense bem, toda historia precisa de continuidade. Luke treinando um novo aprendiz seria algo que traria novos horizontes para a saga e pareceria uma decisão lógica a se seguir, ou Han e Leia com filhos por exemplo.
Não estou falando necessariamente que esses personagens precisam morrem em certo ponto dos filmes para dar lugar a outros. Só estou dizendo que não precisam vender a nova trilogia baseada em velhos rostos.

3 – E que os novos personagens sejam realmente interessantes.

Se é pra seguir novos rostos que eles sejam pelo menos cativantes e nos façam querer acompanhar sua jornada. Tanto do lado dos heróis como dos vilões. Uma das coisas que mais cativa as pessoas pela trilogia clássica além do visual e estilo dos personagens, é seu carisma e personalidade visto na tela. Chega de personagens unidimensionais que de bom só tem a aparência e uma ou outra frase de efeito.

4 – Menos efeitos, mais roteiro.

Logicamente um filme como Star Wars, principalmente hoje em dia, se baseia muito nos efeitos especiais. Não estou pedindo para fazer tudo como foi feito antigamente ou não usar nenhum efeito especial, eu até gosto de ver eles na tela, principalmente os efeitos práticos feitos antigamente. Porém, isso não deve estar acima de um bom roteiro. Star Wars é uma aula de como misturar dramas, pessoais e políticas, com ação envolta de efeitos de primeira linha. Que isso continue nesses novos filmes.

5 – R2D2 e C3P0 como personagens recorrentes.


Isso é apenas para manter a continuidade da saga. Os dois simpáticos androides são os únicos personagens a aparecerem em todos os filmes, prequels ou originais. Só isso.


domingo, 9 de novembro de 2014

A Meia Noite Levarei Sua Alma




Minha introdução pelo mundo do cinema de horror do cultuado diretor brasileiro José Mojica Marins (lembrando que estou falando apenas dos filmes de terror dele, não das pavorosas investidas pornográficas que ele fez nos tempos de vacas magras dos anos 80) foi no começo por simples curiosidade de saber que existia sim cinema de horror no Brasil.

Curiosidade básica de quem nasceu em tempos errados e costuma engolir em todo lugar que não existiu e nem existe cinema de gênero nacional. Papo manjado de critico e publico que após a retomada tentam fazer um crime pior que a pedofilia o ato de querer fazer filmes de ação, fantasia, ficção ou no caso aqui, terror no Brasil.

Um pensamento totalmente errado, que não afeta somente os realizadores desse tipo de produção nacional, mas o publico. É como colocar uma venda nos olhos que só deixa a pessoa ver o que querem que ela veja. O publico deve ser livre para querer ver o que quer, e alem de tudo, os realizadores devem ser livres para fazerem o que quiserem.

Cinema é uma religião para esse que vos escreve e para muitos, assim como foi e é para Mojica.  Uma pessoa a frente do seu tempo que juntou sua paixão pela coisa e suas qualidades como cineasta para realizar verdadeiras obras primas.

À Meia Noite Levarei Sua Alma é o filme em foco aqui, primeiro longa de terror do diretor e considerado também o primeiro filme de terror brasileiro. Um fato importante para a cinegrafia brasileira, mas que infelizmente não deixa de chegar com atraso, visto a longa tradição de cinema fantástico estrangeiro, vindo deste o cinema mudo.

Hoje pode parecer estranho, mas esse filme que tratamos aqui foi um sucesso de publico, que ficou vários meses em cartaz. Imagine hoje em dia um filme de horror nacional fazer bilheteria? Só lembrando que a ultima investida de Mojica, Encarnação Do Demônio, foi um fracasso no sentido financeiro.

Logo no começo, temos o próprio Zé do Caixão, interpretado por Mojica de frente para câmera citando um texto que mostra sua filosofia:

O que é a vida?
É o princípio da morte.
O que é a morte?
É o fim da vida.
O que é a existência?
É a continuidade do sangue.
O que é o sangue?
É a razão da existência.

Podemos ver que o personagem encarnado por Mojica é muito mais que um simples vilão de filmes de terror. Podemos ver também que não estamos vendo um simples filme de terror barato.

E por favor, chamar isso de trash é uma heresia. Não confundam trash com filmes de horror de baixo orçamento, principalmente esse feito na raça e com muita paixão. O filme é barato? Sim, É mal produzido? Definitivamente não, alias, ouso dizer que esse é um dos filmes de horror mais dinâmicos que já vi para sua época.

A trama mostra uma cidade do interior onde vive o coveiro Josefel Zanatas (Zé do Caixão), com uma maldade e descrença em dogmas na alma que ultrapassa qualquer limite de moralidade. Seu objetivo maior é criar o filho perfeito, continuação de seu sangue, e para isso, precisa da mulher ideal.

A personificação física de Zé do Caixão é fácil de reconhecer ate para quem nunca viu um filme dele: capa preta, cartola, e longas unhas. Uma imagem que ficou certamente marcada no imaginário popular.

Temido pelos habitantes locais, algo que vemos claramente durante a primeira cena do bar, onde Josefel corta os dedos de um homem que recusa a pagar uma divida de jogo. Uma cena gore antes de George Romero popularizar o estilo com seu Night of the Living Dead.

Por isso, logo nos primeiros minutos, o efeito de filme barato e bobo que ele passa no começo muda e ele se torna uma obra ultrajante, violenta e corajosa, de blasfêmias não só da religião, mas de uma sociedade atrasada pelo tempo e dogmas. Não só pelo personagem de José Mojica ser um filho da mãe violento e amoral que não insiste em violentar e matar quem passa pelo seu caminho, deixando ícones modernos do horror gringo como Freddy Kruger e Jason parecerem menininhas. Ele acredita fielmente no que faz e sua convicção pelos atos horríveis que comete em frete a câmera é tão forte que acaba sendo justificada.

A fotografia em preto e branco realça ainda mais o clima de filme clássico da longa, apesar de que sua violência o deixe atual para a época e ainda para os dias de hoje. Comer carne durante um feriado religioso pode parecer ingênuo hoje em dia, mas na época era o mais extremo que um filme, não apenas nacional, poderia chegar.

A Meia Noite Levarei sua Alma é um filme feito por um cara do povo para o povão que gosta de horror. Mas se engana quem pensa que aqui temos um produto passageiro. Como eu disse, Mojica estava e ainda esta a frente do seu tempo. Esta para nascer uma pessoa no Brasil que traga tantos elementos clássicos e ainda sim frescos em seus filmes com tanta maestria como ele.

E apesar de ser difícil não considerar o personagem do Mojica um vilão. Ele foge do clichê por ser totalmente bem construído, e foge do clichê, pois nos vemos não somente o lado do vilão, mas as suas motivações e ponto de vista. Violentar uma mulher para gerar o filho é algo horrível e injustificável, mas ele mostra o porque dele fazer isso. Não é como um assassino de slasher bobo que apenas mata por matar. Por isso, todo ato de blasfêmia, de violência, de tirania, é gratuito, mas nunca fora do lugar, por mais que sejam absurdos os meios que os justificam.



Um dos melhores momentos é a cena em que Zé do Caixão realiza um quase monologo destilando toda sua ira e descrença pela religião. Uma cena intensa, cheia de som e fúria que demonstra e personifica toda a figura do personagem criado por Mojica. Zé do Caixão desafia não apenas os céus nesse momento, mas todos que iriam contra sua carreira ao longo dos anos.

Mojica tem o famoso caso em que a criatura é mais conhecida que o criador, Zé do Caixão é o monstro de Frankenstein dele, e sinceramente, acho que ele ficara marcado com isso por toda a vida. O personagem ficou tão marcado que é mais fácil a pessoa conhecer a figura do Zé, do que ter visto um filme de fato.

Já vi muitas pessoas recusarem ver um filme do Mojica por puro preconceito, achando que ele é a figura que fazia aparições em programas de TV trajando roupas pretas e rogando pragas, figura que o próprio Mojica personificou para não morrer de fome.

Podemos dizer que foi o próprio criador do Zé do Caixão que leva a culpa pela imagem que as pessoas têm dele hoje em dia? Certamente, não posso culpar a falta de informação do publico atual, pois essa informação é tão escassa e o primeiro contado que temos come ela é totalmente errada da sua verdadeira face. Mas mesmo assim, coloco Zé do Caixão juntos dos grandes monstros clássicos do cinema mundial. E Mojica como um dos grandes gênios do cinema da nossa era.

Uma dica de amigo: deixe o preconceito de lado e comece a descobrir a obra do Mojica por esse filme. Apesar de certos pontos profundos é um filme relativamente fácil de acompanhar e de se achar para assistir.

Zé do caixão, a personagem, não é o ser engraçadinho que aparece em festas e programas de televisão, ele é um vilão no sentido pleno, e seus filmes onde aparece são clássicos do gênero, cultuados lá fora por muitas pessoas, onde é chamado de Coffin Joe.  Parece que gringo esta sempre na frente não? Pois é, dessa vez passaram a perna na gente mesmo.


José Mojica, a pessoa, um cineasta maldito, pode não ser considerado um gênio por muitos, mas certamente é um batalhador do nosso cinema nacional. Um verdadeiro anti herói e alguém cujos filmes sempre me lembrarei. Não me canso de dizer que ele estava a frente do seu tempo (a terceira vez que cito isso no texto), mas digo sem nenhuma culpa que isso é um fato. 


sexta-feira, 31 de outubro de 2014

5 filmes que mostram que o horror esta vivo, e muito bem!

Mais uma lista para o blog. E aos moldes da nossa primeira postagem aponto mais alguns filmes de horror imperdíveis para se divertir e ver que o gênero ainda tem muita lenha para queimar e sangue para derramar.
Dessa vez irei listar menos filmes, mas são todos altamente recomendáveis, assista, divirta-se e bons sustos.



1– Deixa-ela Entrar (Låt den rätte komma in, 2008 )



Vampiros sempre estiveram presentes no imaginário popular, e filmes sobre o tema podem trazer grandes obras primas ou fracassos irrecuperáveis. Por sorte esse filme sueco esta na primeira categoria, e com louvor. Mais do que um filme de horror sangrento e perturbador, é uma historia sobre a infância e fim da inocência, onde a maldição do vampirismo é vista aos olhos de criança. Mais adulto que muito vampiro brilhante por aí, um filme excelente. Existe uma refilmagem americana lançada em 2010.

2 – Terror Em Silent Hill (Silent Hill, 2006)



Adaptação de games de sucesso costumam dar dinheiro, mas ao mesmo tempo acabam gerando filmes horríveis que do produto original só tem o nome, Resident Evil que o diga. Por sorte a adaptação do que pra mim é o melhor survival horror já feito é digna de nota. Com diferenças aqui e ali em comparação ao game, o filme mesmo com isso não deixa de homenagear seu produto de origem e ainda é um ótimo filme de terror com toques certos de drama e bons efeitos. Coloque o joystick de lado, ligue a televisão e divirta-se

3 – Possuída (Ginger Snaps 2000)



Lobisomens não poderiam faltar na nossa lista, e esse ótimo filme canadense é talvez uma das melhores produções lançadas na ultima década. A trama usa um paralelo entre a chegada da vida adulta e suas mudanças, principalmente corporais, e a maldição da licantropia. Um filme extremamente sangrento e divertido, onde o lobisomem realmente mete medo e é bem produzido. Com aquele clima moderno sem cair para o terror teen bobo e  ao mesmo tempo nostálgico aos moldes de clássicos como Grito de Horror

4 – Seres Rastejantes (Slinther, 2006)



Antes de dirigir o sucesso da Marvel, Guardiões da Galáxia. O diretor James Gunn produziu dois filmes super divertidos. Super, uma homenagem adulta aos filmes de super-heroi. E Seres Rastejantes, uma sangrenta e nojenta homenagem aos filmes B de ficção de antigamente. A trama já foi vista outras vezes (alienígenas tomam conta de corpos humanos e começam uma invasão na terra), o jeito que é produzido que torna a coisa especial. Junte os amigos, pegue sua bebida favorita, tire um pouco o cérebro e divirta-se.


5  – Morgue Story – Sangue, Baiacu e Quadrinhos. (2009)



Pra fechar a lista, um filme nacional, e dos bons. Às vezes uma comedia com elementos de horror, as vezes um filme de horror com elementos de comedia de humor negro, Morgue Story certamente é um filme diferente dos lançados por aí. Deve ser por isso que não recebeu o a distribuição comercial que merecia e acabou ficando apenas no circuito alternativo. Mas vale a pena procurar essa obra baseada numa peça de teatro e se divertir com suas tiradas que envolvem deste a cantora Kate Bush, Uma noite Alucinante 3 e um ótimo vilão na figura do medico necrófilo. Recomendo

quarta-feira, 22 de outubro de 2014

O Balconista



“Só porque eles te servem, não significa que eles gostam de você”.

Você já imaginou o que passa na vida e na cabeça de quem trabalha como balconista em lojas de conveniência ou locadoras? Eles podem estar passando por um dia horrível e os clientes chatos só aparecem lá para piorar a coisa. E se a vida for como esse filme mostra, esses dias podem ser mais recorrentes do que parece.

Mas o que esperar de um filme independente de 1994, filmado em preto em branco, tom teatral, passado inteiro numa loja de conveniência, com diálogos e situações que são verdadeiras odes ao nerdismo, e vão do tocante ao bizarro? Um filme cru e sincero sobre o começo da vida adulta? Um filme sexista cheio de palavreado de baixo calão, mas, ao mesmo tempo, que nos dá uma visão fria, porém sincera e sentimental das relações humanas.  Ora, senão é uma das melhores comedias já feitas!

Dante Hicks (Brian O’Halloran) , o personagem central O Balconista, trabalha numa loja de conveniência em Leonardo, New Jersey. Deveria ser seu dia de folga, mas um colega está doente e ele tem que cobrir o expediente, o que estragou seu jogo de hockey à tarde. .Alguém colocou chiclete na fechadura da vitrina da loja, fazendo-o colar por cima um cartaz escrito que estavam abertos e ficar com  cheiro da graxa que usou para escrever o cartaz pelo resto do dia.

No mesmo dia, Dante acaba descobrindo que sua ex-namorada irá se casar com outro, outra ex faleceu e ele ainda tem sérios problemas com a atual, pois descobre que ela só dormiu com quatro caras na vida (incluindo ele), mas fez sexo oral com trinta e oito (incluindo ele). Fora isso, ele enfrenta um dia no trabalho no qual, a cada hora que passa, encontra pessoas mais bizarras, irritantes, e que criam situações surreais e cômicas, mas que parecem ser recorrentes em sua vida.

Esse dia, de extrema má sorte é o que iremos acompanhar neste engraçado filme. Onde surgem os mais diversos personagens estranhíssimos, que vem e vão, como o maluco que faz de tudo para encontrar a dúzia perfeita nas caixas de ovos, ou o vendedor de chiclete que faz um levante antitabagista.

E talvez a cereja do bolo seja Randal Graves( Jeff Anderson), o melhor amigo de Dante e que trabalha na videolocadora ao lado. O melhor personagem do filme,é uma maquina de soltar tiradas ácidas aos fregueses chatos que aparecem. Maltratando-os de forma cruel e hilária com suas atitudes e palavreado.



O filme se movimenta muito pelos diálogos dos personagens e suas consequências.  Algo meio teatral em certos momentos. Em muitas cenas, a câmera fica parada lá, apenas deixando os atores fazerem seu trabalho e os  longos diálogos ditarem o tom da ação. E esses diálogos são certamente algo que vai do tocante ao bacanal puro, misturando relacionamentos e a vida de trabalho com um segredo obscuro no filme O retorno de Jedi, e ate pornô com hermafroditas.

 Mesmo não mostrando nenhuma nudez  ou violência, e sua única (e bizarra) cena de sexo não seja exibida on-screen, o filme não tem medo de pegar pesado na linguagem e no clima quando necessário. Apesar de que é tudo tão bizarro e circunstancial que você vai acabar rindo, como rola com Napoleon Dynamite ou Superbd.

 Aliás, O Balconista é considerado um dos grandes precursores das comédias nonsense (o chamado besteirol por aqui) que ficaram mais famosas nos anos 90, mas já eram feitas há muito tempo. A diferença é que aqui, apesar das besteiras de sempre, ainda temos um pouco de inteligência e um lado sensível (sem ser piegas) envolvendo a coisa.

Alguns atores nunca tinha atuado na vida antes, e isso é meio perceptível na tela. Mas, ao mesmo tempo, todos estão tão à vontade nos papéis que tudo soa natural. Por exemplo, a relação entre Dante e Randal, parece mesmo que eles são amigos de longa data.

O Balconista é o perfeito retrato da juventude que entrou na idade adulta sem saber o que fazer, aquela geração que tem empregos e estudo, mas que realmente parece não querer ir para lugar nenhum. Se você assiste esse filme no clima e idade certa vai se sentir estranhamente familiarizado.

E como representação da juventude ávida por drogas e sexo, temos os antológicos personagens de Jay e Silent Bob, interpredados, respectivamente, por Jay Mewes e pelo próprio diretor do filme, Kevin Smith. Os personagens, dois traficantes que ficam parados na frente da loja, ficaram famosos e participaram de outros filmes do diretor, até ganhar seu filme próprio O Império do Besteirol Contra Ataca.

Ah, bom lembrar que alguns filmes do Kevin Smith se passam no mesmo “mundinho”, o chamado  Askewniverse. Por isso é normal ver personagens ou situações sendo citadas ou aparecendo em outros filmes posteriores. Não estranhe se você ver algum personagem citando uma situação desse filme em filmes posteriores como Barrados no Shopping ou Procura-se Amy.

Esse certamente é um dos meus filmes de cabeceira, um tipo de obra que eu recomendo para todos assistirem pelo menos uma vez na vida. Eu simplesmente me apaixonei pelos seus personagens e diálogos deste a primeira vez que o assisti. Considero inclusive um dos melhores filmes americanos dos anos 90 e a obra prima do diretor.

O Balconista foi o primeiro filme de verdade do diretor americano Kevin Smith, gordinho barbudo e eterno nerd. Bancado de maneira independente e gravado na loja onde ele próprio trabalhava. Foi com esse filme que ele ficou conhecido e começou uma carreira de altos e baixos. Feito numa época que o cinema independente americano estava começando a estourar e seus realizadores estavam entrando no estrelado.




Curiosidades

Mesmo com uma mensagem contra o tabaco presente no filme, como numa das primeiras cenas em que um cliente começa um verdadeiro levante contra o fumo. Kevin Smith acabou ficando viciado em cigarros depois das filmagens.

O filme é dividido em nove partes, representando os nove círculos do inferno presentes na Divina Comedia, não é a toa que o personagem principal se chama Dante

O diretor precisou vender boa parte da coleção pessoal de quadrinhos para ter grana para gravar.

Kevin Smith originalmente iria interpretar Randal, esse é um dos motivos dele ter alguma das melhores falas do filme.

O titulo original do filme seria Inconvenience, depois foi mudado para Rude Clerks, até finalmente virar o titulo pelo qual é conhecido hoje em dia.

O Balconista ganhou uma sequencia em 2006

O filme pornô que Randal assiste existe de verdade, mas é sobre bissexuais e não hermafroditas.

O filme acaba praticamente do nada, o que pode deixar algumas pessoas nervosas já que Dante não resolveu totalmente seus problemas. Mas no final original, que chegou a ser filmado, Dante seria morto por um assaltante. 

Boa parte do orçamento foi gasto para pagar as musicas usadas durante o filme.

A palavra “fuck” é dita 91 vezes durante o filme.

Infelizmente até agora o filme só foi lançado em VHS no Brasil, mas vale a pena pegar a edição em blu-ray lançada lá fora. E o melhor de tudo: tanto o filme quanto os vários e interessantes extras estão legendados em português do Brasil!



segunda-feira, 13 de outubro de 2014

4 Comedias românticas para quem não gosta de comedia romântica

Comédia romântica é um gênero que, particularmente, não gosto muito. Seus contos de fada para solteironas à beira dos quarenta nunca me atraíram, principalmente por ser um gênero que dificilmente se arrisca a criar algo novo e sair da sua formula de sucesso já pré-estabelecida.

Mas, uma hora ou outra, surge um filme que se difere dos demais, seja pela sua qualidade, seja por seu roteiro mais realista e, mesmo assim, belo, pelas referências a cultura pop em geral, que deixa o lance todo mais divertido ou, simplesmente, por ser um bom filme ao todo.

Por isso vou listar algumas comédias românticas que você, que aprecia um bom filme, pode curtir. O gênero continua não me agradando, mas sempre que procuro um bom filme para curtir um romance e dar umas risadas, assisto a esses filmes.


(500) Dias com ela ((500) Days of Summer 2009)




Talvez o mais conhecido exemplo dessa nova geração de comédias românticas que traz uma abordagem mais sincera e humana para filmes sobre relacionamentos. O filme fez sucesso entre a galera cult/cabeça mas possui uma singularidade e simplicidade palpável que faz ser agradável sua assistida por qualquer pessoa de cabeça aberta.  Joseph Gondon-Levitt e Zooey Deschanel estrelam o filme. Ele, inseguro e de coração mole. Ela, moderninha e apaixonante. Os dois carregam uma forte química juntos e há momentos que você se vê torcendo a favor ou contra o casal. E como o filme deixa parecer, sempre no final do verão você encontra o outono.


Procura-se Amy (Chasing Amy 1997)



Ben Affleck, que causou polêmica ao ser escalado para ser o próximo Batman nos cinemas, estreia e faz um papel bem competente nesse trabalho do diretor Kevin Smith, que é seu melhor filme junto com O Balconista. Ben Affleck trabalha desenhando HQ’s com amigo e parceiro de trabalho, com sérios problemas com mulheres (Jason Lee). Ele se apaixona pela bela de voz irritante interpretada por Joey Lauren Adams. O problema para conquistá-la é que ela torce pelo mesmo time que ele; isso mesmo, ele se apaixona e quer conquistar uma lésbica que está bem decidida sobre sua sexualidade. Um filme sincero sobre relacionamentos que dá uma visão singela sobre problemas que casais podem passar. Além de mostrar sem preconceitos diferentes formas de amar.


Encontros e Desencontros ( Lost in Translation, 2003)




Bill Murray é um dos melhores e mais engraçados atores da comédia. Mas é muito bom vê-lo comprometido a um trabalho mais sério dessa vez, trazendo uma nova abordagem para a sua atuação. Encontros e Desencontros é um filme amado e odiado por muitos. Dirigido por Sofia Coppola, o longa nos mostra como um lugar, ao mesmo tempo aconchegante e acolhedor, pode ser distante e estranho, mesmo quando estamos cercados de pessoas. Ninguém nunca vai saber o que Bill Murray disse no ouvido de Scarlett Johansson no final do filme, não importa, pois a viagem que fizemos juntos valeu mais que palavras ditas em segredo.

Alta Fidelidade (High Fidelity 2000)



Lojas de discos, relacionamentos fracassados, muita musica e top’s 5. Alta Fidelidade é um deleite para os amantes de boa musica e de um bom romance adulto. Rob Gordon (John Cusack) é dono de uma loja de discos onde trabalham dois sujeitos bem peculiares: o introvertido Dick (Todd Louiso) e o espalhafatoso Barry ( Jack Black). No meio de referências a músicas, cultura pop e dos clientes que passam pela loja, Rob encontra tempo para recortar seus antigos amores e tentar descobrir o que deu errado na sua vida, tudo isso graças à atual namorada que foi mais uma da lista das mulheres que o largaram. Um dos melhores momentos é o dialogo que John Cusack tem entre o público, quebrando totalmente a quarta parede. Um filme que colecionadores costumam ter entre seus favoritos, um posto merecido.



quarta-feira, 8 de outubro de 2014

Mangue Negro




Desde que George Romero trouxe de volta à vida seus mortos e deu uma nova roupagem para eles no seu clássico A Noite dos Mortos Vivos, o mundo se viu invadido por uma grande leva de filmes, bons e ruins, que nunca foram tão famosos como hoje em dia. Prova disso é a popularidade crescente entre o publico, principalmente o jovem, que está disposto a consumir qualquer coisa que tenha zumbis no meio. Popularidade nunca foi sinônimo de qualidade, isso é fato. Mas é fato também que zumbis são uma das coisas mais legais que surgiram no cinema desde que o ser humano o inventou. Por isso, eu sempre me divirto assistindo e reassistindo clássicos do gênero.

Podemos dizer que esse é e sempre foi um fenômeno internacional, já que existem fãs em todas as partes do mundo e são realizadas produções em todas as partes do mundo também. Um exemplo disso é o filme que me levou a ser fã do gênero: uma produção italiana, o grande clássico Zombie  do mestre Lucio Fulci. Depois que vi aquele filme, descobri o que era um gore bem feito e entrei de cabeça nesse universo.

E aqui no Brasil também é algo popular, e também se faz filmes do gênero. O primeiro foi Zombio, de 1999, dirigido por Petter Baiestorf, que ganhou uma sequência recentemente. Outros exemplos são A capital dos Mortos, Porto dos Mortos e Desalmados, entre outros.

Mas o filme que será analisado agora é Mangue Negro, lançado em 2008 e dirigido por Rodrigo Aragão.

Já é um fato conhecido por todos que o capixaba Rodrigo Aragão virou o novo grande nome do undeground cinematográfico nacional com seus longas já lançados em vídeo e festivais nacionais e internacionais, como Mangue Negro, A Noite do Chupa-Cabras e Mar Negro. Hoje ele é sinônimo de qualidade para quem busca um bom filme de terror nacional.

Feito alguns curtas durante um tempo, o primeiro longa de Aragão foi o feroz ataque dos zumbis em Mangue Negro, que apesar de não ser o primeiro exemplo nacional sobre os monstros criados por George A. Romero, talvez seja hoje em dia, o mais famoso. Reconhecimento merecido, diga-se de passagem, já que não é apenas um filme nacional de zumbis, é um bom filme nacional de zumbis.

Com todo aquele clima e violência dos bons filmes de terror dos anos 70 e 80. Mangue Negro é uma boa pedida para quem está cansado de produções pífias ou nunca se aventurou pelo cinema de gênero no Brasil. Pode parecer estranho ver um filme de zumbis feito em nossas terras, mas acredite, o cinema nacional é muito mais que filmes de nordeste ou favela.

O filme é a clássica historia do ataque de zumbis a um grupo de azarados que tem que se virar para sobreviver num lugar cada vez mais claustrofóbico e hostil.  No caso aqui, um mangue, lugar de extrema dificuldade para filmar que é explorado de forma muito eficiente pela produção. As cenas dos zumbis putrefatos caminhando lentamente pela mata escura são de arrepiar pelo seu clima de tensão e medo. Ver zumbis caminhando por ruas de grandes cidades é legal, mas vê-los caminhando em um local afastado e desolado como esse é de causar mais pavor ainda.

A fórmula básica de um filme de horror, que mesmo sendo repetida aqui, é feita de forma que nos sentimos familiarizados com o filme e, ao mesmo tempo, surpresos pela sua qualidade. Pois mesmo vendo centenas de filmes de gênero, não é sempre que podemos ver a velha fórmula sendo realizada num ambiente cem por cento nacional.

Podemos ver isso também nos personagens, sejam eles os secundários ou principais, que são carismáticos e representam bem várias facetas do povão brasileiro. São gente como a gente mesmo, algo não típico no cinema de horror normal.

O mocinho da nossa obra é o tímido Luis, interpretado por Walderrama dos Santos; ele é apaixonado por Raquel, interpredada por Kika de Oliveira. O problema é que sempre que ele tenta se declarar algo acontece que o impede. Seja por um habitante mala do mangue, ou o ataque de um feroz zumbi.

A falta de jeito do nosso herói para se declarar para a mocinha pode deixar muitas pessoas nervosas; eu mesmo ficava puto cada vez em que ele estava prestes a falar o que sente e algo atrapalhava. Mas ao mesmo tempo, acompanhamos como ele torna-se o herói do local e vira um exímio matador de zumbis com sua machadinha.

Eu sempre gostei do personagem “loser” se tornando o herói; em outras palavras, quando o fracassado local torna-se o único que pode combater e sobreviver uma ameaça terrível. Impossível não compará-lo ao personagem Ash, de Evil Dead, interpretado por Bruce Campbell, afinal, os dois são a pessoa que você jura que morreria primeiro, mas acabam se tornando os grandes heróis dos filmes.

O interessante do herói desse filme é que, mesmo que ele se torne um exímio matador de zumbis, ainda podemos ver seu lado humano, sua coragem de enfrentar os monstros e perigos que aparecem no mangue, mas, ao mesmo tempo, com medo de perder a mulher que ama. E eu adoro ver isso, um personagem que mesmo enfrentando terríveis monstros, ainda é uma pessoa normal, que sente medo, dor, não tem jeito com as mulheres. Ou seja, o típico cara que você acaba adorando ao final do filme.

E destaque também para o melhor personagem do longa: Agenor dos Santos, interpretado de forma carismática por Markus Konká; ele que introduz o filme, e sua presença e carisma são algo muito bom de se ver na tela. Todas as partes em que ele está em cena, podemos ver é um bom ator e que merece mais espaço nas produções nacionais.

A violência gráfica, o chamado gore, é algo lindo de se ver. Quem é fã de ver um bom sangue cenográfico saindo a litros vai ficar feliz. Rodrigo Aragão, além de dirigir, fez a maquiagem e efeitos do filme, dominando as técnicas com maestria. Como fã de coisas feitas estilo old-school, digo que é muito melhor ver efeitos práticos feitos na mão, ou seja, feitos na raça. Algo que deixa a violência muito mais realista e “bonita” de se ver do que colocando toneladas de CGI.

A direção é ágil e dinâmica. Sabendo quando e onde mover a câmera, deixando as cenas de terror e ação muito bem feitas. Mas também sabe a hora que precisa respirar e retomar fôlego, com momentos mais climáticos, mas sem perder o pique. Acredite, quando o clima começa a esquentar, pode ter certeza que verá cenas de puro terror misturadas com uma ação sem exageros, algo muito bem feito.

Por último, vou falar que o trabalho que fizeram no DVD é algo maravilhoso; além de inúmeros extras, a embalagem vem com uma bonita luva, encarte e cards do filme. Agora me pergunto se uma produção nacional independente tem um acabamento profissional do jeito que colecionadores como eu procuram, o que fazem as grandes distribuidoras que nos lançam edições cada vez mais vagabundas?


Isso é tudo por hoje, o que tenho para dizer é: vá e assista! Seja pela curiosidade de ver um filme nacional de terror (um tabu para muita gente hoje em dia), ou ainda fãs de zumbis que vão descobrir que o Brasil pode dar o melhor do gênero.